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Antes que seja tarde: pesquisadores trabalham para identificar anfíbios ameaçados

G1 - http://g1.globo.com/
Autor: Giulia Bucheroni
20 de mar de 2019

Antes que seja tarde: pesquisadores trabalham para identificar anfíbios ameaçados
20/03/2019 09h50

Por Giulia Bucheroni, Terra da Gente

Preocupados com as ameaças às espécies, biólogos buscam informações detalhadas de sapos, rãs, pererecas e salamandras.

Hoje, estima-se que 1.172 espécies da fauna brasileira estejam ameaçadas de extinção, sendo que 318 são consideradas "Criticamente em Perigo", categoria que antecede "Extinto na Natureza".

O levantamento é importante para que sejam elaboradas estratégias de conservação como a fiscalização efetiva do desmatamento ilegal, criação de unidades de conservação, ampliação de atividades conservacionistas e incentivo a pesquisas e estudos aprofundados sobre as espécies.

No entanto, para realizar todos esses projetos, é necessário ao menos ter conhecimento sobre o animal, o que nem sempre acontece. Em alguns casos, a existência de espécies brasileiras passa despercebida, de forma que o animal seja extinto antes mesmo de ser reconhecido cientificamente.

Preocupado com esse cenário, o biólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Pedro Peloso, desenvolveu o projeto DoTS "Documenting Threatenes Species" ou "Documentando espécies ameaçadas", em português.

A proposta é criar uma base de dados, com imagens e informações, sobre o estado de preservação dos locais de ocorrência dos anfíbios brasileiros ameaçados de extinção.

Tamanha preocupação se deve às estimativas globais: a cada dez espécies de anfíbios, quatro correm risco de desaparecer.

"No Brasil, pelo menos 41 espécies estão ameaçadas, além de uma já considerada extinta. Por isso pretendemos buscar, documentar e estudar os anfíbios ameaçados do nosso País", explica Pedro, que acredita no poder das imagens e informações como estímulo para a conservação das espécies.

"Esperamos que ao apresentar belas imagens das espécies ameaçadas e dos ambientes por ela habitados passemos a nos preocupar mais com o futuro desses animais incríveis", completa.

Embora apenas uma espécie seja considerada extinta, pelo menos outros quatro sapos brasileiros não são vistos há mais de 40 anos

Trabalho minucioso

As pesquisas, que também contam com os trabalhos dos biólogos Iberê Machado, do Instituto Boitatá, e Guilherme Becker, da Universidade do Alabama, EUA, apresentam bons resultados: em um ano, nove espécies foram identificadas e registradas ao longo de três expedições.

Dessas, oito são anuros, grupo que compreende os sapos, rãs e pererecas, e uma salamandra. "Começamos a entender melhor as ameaças às espécies e conhecer os cientistas que vêm estudando elas há anos", comenta Pedro.

O biólogo Iberê também acredita na divulgação dos dados como incentivo à conservação. "O projeto é importante para conscientizar a todos sobre a relevância da preservação do meio ambiente e dos anfíbios", explica.

Algumas espécies ameaçadas correm maior risco, pois não estão dentro de áreas de preservação ambiental. Espero que o projeto dê maior visibilidade às espécies também junto aos órgãos ambientais
- Iberê Machado, biólogo

Das nove espécies identificadas, o projeto DoTS documentou quatro na categoria Criticamente em Perigo
Fungo perigoso

Vítimas da destruição do meio ambiente, as espécies também sofrem com a infecção por um fungo que, há anos, dizima populações de anfíbios em ambientes preservados.

Estudos sugerem que o fungo quitrídio está relacionado ao desaparecimento de dezenas de populações da Mata Atlântica no final da década de 1970. "É possível que o fungo seja um fator crucial na preservação das espécies ameaçadas, por isso, compreender a causa dos declínios de anfíbios pode ajudar a prevenir que eles se repitam no futuro", explica Guilherme Becker, especialista no estudo da ecologia e evolução do quitrídio.

Anuros ameaçados

Das nove espécies identificadas, oito são anuros, grupo dos sapos, rãs e pererecas. Desses, quatro são tidos como Criticamente em Perigo: a perereca-de-capacete-do-rio-pomba, conhecida somente dentro de uma área particular no estado de Minas Gerais; a perereca-do-Vulcão, encontrada próxima a riachos de Poços de Caldas (MG) e em pequenas matas dentro da cidade; o sapinho-admirável-da-barriga-vermelha, comum em um trecho de 500 metros do Rio Forqueta, no Rio Grande do Sul; e a rãzinha-de-seropédica.

A espécie, endêmica da Mata Atlântica, foi protagonista de uma grande controvérsia no passado. Isso porque, devido à presença do anfíbio na Floresta Nacional Mário Xavier (RJ), o plano de construção do Arco Metropolitano na Baixada Fluminense teve de ser alterado. As obras demoraram a ser concluídas e o gasto foi maior, mas a espécie se manteve a salvo.

Salamandra

O grupo de pesquisadores comemora também o encontro com a salamandra Bolitoglossa paraenses, umas das cinco espécies que vivem no Brasil.

Considerado Em Perigo na lista da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), o animal é endêmico da Amazônia brasileira e ocorre apenas em três fragmentos de uma área que sofre declínio contínuo em decorrência do desmatamento.

https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2019/03/…

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