O Globo, O País, p. 11
27 de Abr de 2012
Ambientalistas cobram promessa
Entidades pedem reação da presidente sob pena de comprometer imagem do país.
Silvia Amorim
silvia.amorim@sp.oglobo.com.br
Um dia depois da aprovação do Código Florestal na Câmara, ambientalistas iniciaram uma articulação para pressionar a presidente Dilma Rousseff a vetar integralmente o projeto. Para eles, o texto depõe contra o Brasil às vésperas da conferência Rio+20. Mas, para representantes de entidades ligadas ao agronegócio, o código representa avanços ao dar segurança jurídica aos produtores. Eles negam que as novas regras vão aumentar o desmatamento.
Coordenador-adjunto de Política e Direito do Instituto Socioambiental (ISA), Raul do Valle disse que uma estratégia de mobilização a favor do veto ao projeto já começou a ser discutida.
- Vamos cobrar da presidente Dilma uma palavra dela. Na campanha eleitoral, ela disse que não aceitaria anistias. O que tem que fazer agora é vetar o projeto e começar nova discussão sobre o assunto - disse ele.
A WWF Brasil também defende o veto integral. Para a entidade, a aprovação compromete a imagem do Brasil na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio, em junho.
- Se fosse qualquer pessoa do governo, me sentiria muito mal. É um péssimo início para a Rio+20, que vai tratar do desenvolvimento sustentável - afirmou a secretária-geral da entidade, Maria Cecília Wey de Brito.
A aprovação anteontem do código impôs uma derrota ao governo. Um dos pontos mais polêmicos é o que acaba com a obrigatoriedade de reflorestar a margem de rios com mais de 15m de largura onde já havia áreas rurais consolidadas antes de 2008.
Um dos diretores da Associação Brasileira do Agronegócio, Glauber Silveira da Silva disse que a discussão do assunto foi pauta por radicalismo:
- Não queremos desmatar beira de rios. Agora, não dá para obrigar o produtor a abandonar uma área onde ele produz há anos. Está havendo muito radicalismo. O que os produtores querem é segurança jurídica para trabalhar. Foi um passo importante, mas ainda tem muito o que discutir.
Consultora jurídica da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso, Samanta Pineda considerou o texto equilibrado.
- O resultado não agradou a 100% dos produtores nem a 100% dos ambientalistas, prova de que está equilibrado.
O Globo, 27/04/2012, O País, p. 11
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