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Alunos e professores indígenas fazem protesto em evento da Ufam em São Gabriel

A Crítica - http://www.acritica.com
Autor: Vitor Gavirati
30 de nov de 2017

O início da audiência pública sobre a implantação de um campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em São Gabriel da Cachoeira foi marcado por protestos. Na manhã desta quinta-feira (30), alunos, egressos e professores dos cursos de Licenciatura Indígena da Ufam que funcionam no município se levantaram das cadeiras em que estavam e deixaram o Ginásio Arnaldo Coimbra durante a audiência. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) apresentou uma carta de repúdio à forma com que a programação do evento foi organizada.

"O motivo primeiro de nosso repúdio deve-se à contradição demonstrada na sua programação, uma vez que exclui por completo a já existente proposta de criação do Campus Universitário discutida há anos, pela própria UFAM, com a participação de professores, estudantes, diretores de escolas, lideranças indígenas, instituições governamentais e não governamentais (...)", diz trecho da carta de repúdio.

Segundo a Pró-reitoria de Extensão da Ufam, que representa a universidade durante a audiência, o projeto citado pela Foirn será contemplado na implantação do campus no município.

Queixa sobre a programação

Segundo a professora da Licenciatura Indígena da Ufam, Ivanir Fereira, a programação da audiência pública para discutir a implantação do campus da universidade em São Gabriel da Cachoeira não foi discutida com a população do município e as lideranças indígenas.

"Como se faz uma audiência pública sem se discutir a pauta? O foco da audiência é a instalação do campus da Ufam em São Gabriel da Cachoeira. A pauta que está sendo discutida em nada fala sobre a construção do campus", reclama a professora.

Uma série de palestras sobre empreendedorismo, exploração de minérios e desenvolvimento regional autossustentável estava na programação da audiência.

Como sugestão da Pró-reitoria de Extensão da Ufam para a implantação do campus estão os cursos de Antropologia Indígena, Engenharia Ambiental, Engenharia Florestal, Piscicultura, Ciências Agrárias e Turismo. Pensados de acordo com as características demográficas e o potencial de extração de minérioda região.

O pró-reitor de Extensão da Ufam, professor Ricardo Bessa, afirmou durante a audiência que o evento, que termina nesta sexta-feira (01) serve para ouvir a população da cidade a respeito da implantação do campus. "Nós não queremos impor algo. Essa audiência é consultiva, não impositiva. Se a população não quiser a implantação do campus, por exemplo, não vai haver", afirmou.

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