OESP, Economia, p. B3
30 de Ago de 2004
Alta do consumo é alerta para investimento em novas usinas
Para secretário de Energia de São Paulo, tranqüilidade do setor só vai até 2007
Renée Pereira
O crescimento do consumo de energia é um alerta para o Operador Nacional do Sistema (ONS) "despachar as usinas", e é importante começar a planejar o setor para não ter problemas futuros. A opinião é do secretário de Energia do Estado de São Paulo, Mauro Arce. "Até 2007 estamos tranqüilos.
A partir daí, precisamos de novos investimentos entrando em operação", diz o secretário. Ele ressalta que o Estado mantém a Térmica de Piratininga, com capacidade para 400 megawatts (MW), que nunca entrou em operação por causa da falta de mercado.
O ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem a mesma opinião: "Uma térmica demora em torno de três anos para começar a operar. Já uma hidrelétrica não fica pronta antes de cinco anos".
Hoje, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), há 24 usinas licitadas, que gerariam em torno de 5 mil MW para o País. Porém, todas estão à espera de licenciamento ambiental. "Isso não significa que os órgãos ambientais têm de facilitar para liberar os projetos. O governo é que tem de encontrar soluções para o problema", diz Pinguelli.
Colapsos localizados - Apesar da sobra de energia, ainda resquício do racionamento, o ex-presidente da Eletrobrás afirma que o País poderá ter colapsos localizados. "No ano passado, o Nordeste só não teve mais problemas porque a Usina de Tucuruí salvou a região. Os reservatórios estavam com capacidade baixíssima."
Outro sistema que merece cuidado é o Norte, cujo consumo tem aumentado substancialmente, diz ele. De acordo com dados da Eletrobrás, o sistema isolado Norte, abastecido em grande parte por térmicas movidas a óleo combustível, teve um crescimento do consumo de 5,5% até abril, sendo 9,3% no setor industrial.
"A sobra de energia no País continua grande, mas ela se acaba se não houver investimento", preocupa-se o diretor da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace), Paulo Ludmer. Ele destaca ainda que, para cada 1 ponto porcentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo de energia elétrica sobe 1,7 ponto.
As distribuidoras de energia, no entanto, poderiam comemorar níveis de consumo ainda melhores se não tivessem perdido tantos clientes, que migraram para o mercado livre. Na maioria das vezes, esses consumidores encerram contrato com as concessionárias para comprar energia elétrica diretamente das geradoras ou de outra distribuidora que ofereça uma tarifa mais vantajosa.
Na Eletropaulo, o consumo de energia teve uma queda de 8,4%, provocada pela fuga de consumidores para o mercado livre. O índice de consumo desses clientes não entra nas estatísticas da Eletrobrás.
OESP, 30/08/2004, Economia, p. B3
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