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Autor: Renata Turbiani, para o Um Só Planeta
06 de Abr de 2026
Está sendo realizado em Brasília, no Distrito Federal, o Acampamento Terra Livre (ATL), a maior mobilização indígena do país. Em sua 22ª edição, a iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) começou no domingo (5) e vai até o dia 11 de abril.
O tema deste ano é "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós", e a programação destaca as ameaças aos territórios indígenas e aos povos originários, ao mesmo tempo em que apresenta respostas à crise climática e ao fortalecimento da democracia. O encontro marca o início do Abril Indígena, mês de mobilização nacional, resistência e visibilidade desses povos. Entre os principais temas estão o marco temporal, a demarcação de terras e a exploração de petróleo, gás e minerais em territórios indígenas
"E este ano nós trazemos como tema: 'Nosso futuro não está à venda, a resposta somos nós', justamente pegando ali o arcabouço dessa discussão geopolítica na disputa, principalmente, por metais raros, que está as terras indígenas ali sendo colocada com um grande potencial exploratório; a flexibilização da legislação brasileira na questão do licenciamento ambiental, com a lei que foi aprovada do marco temporal", disse à Agência Brasil o coordenador executivo da Apib, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Dinamam Tuxá.
São cinco os eixos do ATL 2026: A Resposta Somos Nós; Nosso Futuro Não Está à Venda; Nossa Luta Pela Vida!; Terra Demarcada, Brasil Soberano e Democracia Garantida; e Diga ao Povo que Avance!.
Nesta segunda-feira (6), lideranças de todas as regiões do país debaterão a violência vivida durante a ditadura militar na plenária "Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas", organizada pelo Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas.
A programação segue na terça-feira (7) com a marcha "Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda". A ABIP destaca que, este ano, ao menos seis propostas anti-indígenas tramitam no Congresso Nacional, como a PEC 48 (Marco Temporal); PDLs contra demarcações (717/2024, 1121/2025, 1126/2025 e 1153/2025); o GT de Mineração em TIs; o PL 6050/2023 (Exploração Econômica); e o PL 6093/2023 (PL do Agro).
Na quarta-feira (8), os destaques são a plenária "Do território tradicional ao cenário global: o movimento indígena brasileiro na luta socioambiental" e os encontros entre lideranças indígenas e embaixadas e de comunicadores indígenas da Guatemala e do Brasil.
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As eleições de 2026 farão parte dos debates do Acampamento Terra Livre na mesa "Campanha Indígena: a resposta para transformar a política somos nós". A plenária ocorrerá na quinta-feira (9). No mesmo dia, será realizada a marcha "Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida".
Segundo a APIB, até o mês de março de 2026, cerca de 76 Terras Indígenas estavam prontas para serem homologadas e aguardavam apenas a assinatura do presidente brasileiro. Outras 34 dependem do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para a emissão da portaria de declaração.
A programação se encerra na sexta-feira (10) com a plenária e a leitura de Documento Final do ATL 2026. O sábado (11) é destinado ao retorno das delegações para seus locais de origem.
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