Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Rodrigo Vargas
02 de Mar de 2003
A maior base de dados sobre Mato Grosso tem 100 relatórios, mais de mil mapas e 30 gigabytes de informação
Uma gigantesca base de dados jamais reunida, tida como o mais importante dos cinco componentes do Programa de Desenvolvimento Agroambiental de Mato Grosso (Prodeagro), chega ao ponto de arremate debaixo de críticas e desconfiança.
Depois de sete anos de trabalho, no qual foram consumidos cerca de R$ 115 milhões, o Zoneamento Sócioeconômico-Ecológico entrou em fase de revisão e, de acordo com a Secretaria Estadual de Planejamento - a quem coube executar o projeto, financiado pelo Banco Mundial (Bird) -, será finalmente lançado em abril.
São 1110 mapas, mais de 100 relatórios técnicos e outros 30 gigabytes de informação (reunida em 46 CDs) sobre cada um dos 906,8 mil quilômetros quadrados do Estado, que foram divididos em 12 regiões de planejamento e 94 zonas específicas, com base em aspectos como o clima, qualidade do solo ou fragilidade ambiental.
O contraponto a tamanha opulência é que a ferramenta, concebida para indicar novos rumos ao desenvolvimento do Estado, será apresentada à sociedade quase seis anos após o encerramento da coleta de dados em campo - executada entre 1995 e 1997 pela empresa paulista CNEC S/A, vencedora de concorrência internacional.
Ao Diário, em quase uníssono, representantes de grupos ambientalistas e um pesquisador da área criticaram a marcha lenta do projeto e a defasagem dela resultante. Apontaram ainda a quase inexistente participação da sociedade e também as dúvidas sobre as contas da empreitada, considerada cara demais.
No governo, enquanto doze experientes funcionários da Seplan se empenham na tarefa de verificar as conclusões dos técnicos da CNEC, a administração recém-empossada combina a defesa da validade do zoneamento com ressalvas pontuais ao trabalho dos antecessores.
"Custou o dobro do que estava orçado e mesmo assim não ficou pronto no prazo", alfinetou o diretor de Recursos de Fauna e Flora da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema), Rodrigo Justus de Brito, que aguarda a entrega os dados para dar início a um projeto próprio de zoneamento ambiental.
Mais comedido, o secretário de Planejamento, Yenes Magalhães, citou relatório do Bird que avalia positivamente a conduta do governo mato-grossense. "Mato Grosso foi citado como exemplo, pois o custo do zoneamento ficou abaixo do que a média nos Estados Unidos", defendeu o secretário.
Em sua opinião, a principal falha teria sido a pouca participação de técnicos e instituições de pesquisa locais. "Fora os doze técnicos designados pela Seplan, toda a equipe veio de fora", lamentou. "O resultado é que não temos hoje mão de obra local em quantidade suficiente para aprimorar o zoneamento".
Por aprimorar, leia-se atualizar. De acordo com o secretário, a defasagem apontada pelos críticos é real, embora inevitável em trabalho com essas dimensões - somente nos trabalhos de campo, foram mais de 1,2 milhão de quilômetros rodados, o equivalente a três vezes a distância entre a Terra e a Lua.
"A ocupação em Mato Grosso é muito dinâmica, ao passo que o zoneamento é estanque. Por isso será tarefa permanente alimentar a base de dados com novas informações", assegura Magalhães. "Para isso, vamos buscar a ajuda de parceiros, como as federações do comércio, indústria e agricultura, por exemplo".
O descompasso, diz o secretário, não invalida as informações a serem tornadas públicas dentro de pouco mais de um mês, quando o projeto será encaminhado para discussão na Assembléia Legislativa. "Ele pode e deve ser alterado. A sociedade tem que dizer o que ela quer do zoneamento", afirma.
Ele estima em um ano o prazo necessário à aprovação do projeto de Lei. "Neste momento, o zoneamento terá de ser conhecido e entendido por todos não como um instrumento restritivo, mas um poderoso meio para identificar seus principais eixos e gargalos. Disso dependerá nosso futuro".
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