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18 de Mai de 2009
DOURADOS - A abertura oficial da 45a Exposição Agropecuária e Industrial de Dourados (Expoagro) na manhã de sábado foi marcada pelo duro discurso do presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli, em defesa do direito de propriedade. "Estamos no meio de um furacão econômico, com a crise financeira mundial atingindo todos os continentes e se instalando no Brasil onde o maior prejudicado está sendo, mais uma vez, o agronegócio", afirmou Marisvaldo. "Compram nosso gado e não pagam; exportam nossa produção agrícola e não garantem preço mínimo; praticam tarifas tributárias abusivas e não nos oferecem contrapartida alguma, nem mesmo seguro agrícola que possa nos dar tranquilidade para continuarmos produzindo", desabafou sob aplauso dos produtores rurais e autoridades municipais, estaduais e federais.
Marisvaldo foi duro também na defesa do direito de propriedade. "Como se não bastasse a falta de políticas sérias para a produção, ainda ameaçam nos tomar o que conquistamos com décadas de trabalho, com o suor do rosto dos nossos pais e avós, com a força da nossa produção", reclamou. "Levantamos na madrugada para preparar a terra que recebe a semente que alimenta o país e não podemos dormir em paz porque inventam demarcações indígenas para usurpar nossas propriedades e agora inventam até quilombos em nossa região", concluiu o líder ruralista.
Ele enfatizou a necessidade da classe produtora rural seguir atenta na defesa do direito de propriedade. "Temos que marchar unidos contra a violação dos nossos direitos e temos, principalmente, que continuar acreditando no Poder Judiciário como a instância capaz de corrigir os abusos que são praticados por autarquias que perderam a razão de existir e atropelam o Estado Democrático de Direito", pregou Marisvaldo Zeuli.
O discurso do presidente do Sindicato Rural contagiou as demais autoridades. O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara Municipal e diretor do Sindicato Rural de Dourados, Gino José Ferreira, manteve a postura em defesa do setor produtivo e do direito de propriedade. "Não vamos permitir demarcação de terras para índios, ou quilombos em terras tituladas. Se for preciso ir para a linha de frente nós vamos estar lá. Não se faz justiça praticando injustiça e vamos exigir equilíbrio das autoridades políticas para que a Constituição Federal prevaleça, ou seja, o direito de propriedade é inalienável e faremos com que esta regra constitucional seja cumprida", garantiu.
O deputado federal Geraldo Resende também criticou a falta de critério de autarquias como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na hora de atuar na questão agrária. "Inventaram um quilombo que nunca existiu. Essa é uma situação esdrúxula. É preciso união da classe política e do setor produtivo para garantir que o Estado de Direito seja preservado e o direito de propriedade seja respeitado", argumentou.
O deputado Waldemir Moka também não economizou críticas. Para ele, a opinião pública não conhece a força do setor produtivo. "Alguns setores, com suas bandeiras ideológicas criam situações embaraçosas para o produtor, deixando a categoria em situação difícil. É preciso mostrar ao país a força do trabalho do produtor rural. A Funai identifica uma área e ela mesmo demarca. Isso é uma aberração jurídica. Essa questão de quilombo na Picadinha é um absurdo. A bancada vai se reunir na segunda-feira com o Flodoaldo Alves (superintende estadual do Incra) e vamos colocar esta questão pra ele, claramente", garantiu Moka.
Os senadores Valter Pereira e Marisa Serrano também se posicionaram em defesa do agronegócio, do direito de propriedade e do Estado Democrático de Direito, garantindo que vão cobrar do governo federal uma solução para os abusos que tanto a Funai quanto o Incra estão cometendo em Mato Grosso do Sul.
Por último, a atriz Regina Duarte, que prestigiou a abertura da 45a Expoagro (leia matéria no suplemento rural), também usou o microfone para defender o setor produtivo. "Não imaginava que estaria de novo neste país tendo que lutar pela democracia, pelo direito inalienável à propriedade. Estão tentando inquietar o homem do campo, que faz a grandeza deste país. Lembro hoje do medo, do medo de perder todas as conquistas. O produtor precisa estar em constante estado de alerta para defender o que lhe pertence", afirmou.
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