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Volume morto faz agência federal e Sabesp divergirem sobre Cantareira

OESP, Metrópole, p. A16
20 de Mai de 2014

Volume morto faz agência federal e Sabesp divergirem sobre Cantareira
Dois órgãos divulgaram o nível do sistema com diferença de 15,6%; de acordo com a ANA, o reservatório está com 22,2% de sua capacidade, enquanto a empresa estadual projeta 26,3%

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Qual o nível atual do Sistema Cantareira? A pergunta, que antes merecia uma única resposta divulgada diariamente pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), agora é motivo de divergência entre a empresa paulista e a Agência Nacional de Águas (ANA). Com o uso inédito do "volume morto" dos reservatórios, iniciado há cinco dias, a Sabesp e o comitê anticrise liderado pela ANA passaram a divulgar o novo índice de água disponível para a Grande São Paulo com uma diferença de 15,6% (4,1 pontos porcentuais).
Segundo o boletim diário divulgado pelo comitê, que também é composto por técnicos do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) e da Sabesp, o Cantareira estava nesta segunda-feira, 19, com 22,2% da capacidade. Já a Sabesp divulgou que o índice era de 26,3%. Ambos consideram que a quantidade de água disponível nesta segunda era de 75,5 bilhões de litros - represados acima do limite das comportas de captação. Há ainda os 182,5 bilhões que serão retirados do "volume morto", com uso de bombas.
Há discordância quanto ao porcentual que o fundo das represas representa da capacidade total do sistema. A distorção ocorre porque o comitê anticrise leva em consideração em seus cálculos que o uso de 182,5 bilhões de litros do "volume morto" também eleva a capacidade do Cantareira, de 981,56 bilhões de litros para 1,164 trilhão de litros. Dessa forma, aponta o grupo técnico, os 257,93 bilhões de litros equivalem a 22,2% do manancial. Já a Sabesp não considera que a reserva profunda aumentou a capacidade do Cantareira e diz que o volume armazenado representa 26,3% de 981,56 bilhões de litros.
Em nota, a empresa paulista informou que o cálculo apresentado no boletim do comitê e divulgado no site da ANA "não foi discutido" entre os órgãos que compõem o grupo técnico. "Trata-se de uma publicação de responsabilidade da agência reguladora", afirma.
A companhia destaca ainda que, embora haja uma diferença de 15,8% nos índices do Cantareira, o volume de água restante no manancial é o mesmo: 257,9 bilhões de litros. "Não há uma redução da quantidade de água. A divergência está apenas no critério da conta", completa.
A assessoria de imprensa do DAEE informou que a conta apresentada no boletim do comitê foi feita pela ANA. Já a agência federal informou, por sua vez, que o cálculo que chegou ao resultado de 22,2% foi feito pelo grupo técnico, órgão colegiado do qual a Sabesp também faz parte.
Ambos certos. Para o professor de Finanças Adriano Gomes, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), os dois cálculos estão corretos. "O que muda é o referencial. É uma questão muito mais conceitual do que numérica. Como o volume que será utilizado é o mesmo nos cálculos, o índice que hoje é maior (26,3%) vai cair mais rápido do que o outro. E, se for o caso, ambos vão chegar a zero juntos", afirma Gomes.
O efeito disso já pôde ser percebido na segunda. Enquanto o índice da Sabesp recuou 0,1 ponto porcentual em um dia, o índice do comitê anticrise ficou estável. Ambos demonstram que a chuva forte que caiu na capital no domingo não atingiu o Cantareira.
Sem considerar o "volume morto" que será utilizado, o nível do Cantareira estava ontem em 7,7% da capacidade, segundo a análise do comitê anticrise. Antes do início da retirada de água da reserva profunda, esse índice era de 8,2%.
Ao custo de R$ 80 milhões, a captação do "volume morto" foi dividida em duas etapas. A primeira teve início nas Represas Jaguari-Jacareí, em Joanópolis, a cerca de 100 quilômetros da capital. De lá, a Sabesp pretende retirar 105 bilhões da reserva profunda. No próximo mês, a companhia deve concluir as obras para captar mais 77 bilhões do "volume morto" da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista.
Segundo informações fornecidas pela Sabesp ao comitê anticrise, o uso do "volume morto" seria suficiente para abastecer a Grande São Paulo até o fim de novembro. Há duas semanas, o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, garantiu o abastecimento de água na região sem adoção de racionamento generalizado até março de 2015. Na última semana, contudo, um diretor da Sabesp informou que a reserva profunda deve durar só até outubro.

Maio pode tornar-se o mês mais seco da história da região

O volume de água que chega diariamente aos quatro principais reservatórios que compõem o Sistema Cantareira continua muito abaixo da média mensal e deve fazer de maio o mês mais seco da história do manancial. Dados do comitê anticrise que monitora a estiagem mostram que a vazão afluente às represas é de 6,1 mil litros por segundo neste mês, apenas 18% da média para o período, que é de 34,2 mil litros por segundo.
O índice é inferior à vazão registrada em fevereiro, de 8,5 mil litros por segundo: até agora, o mês mais seco desde o início das medições, em 1930. Neste mês, contudo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo tem retirado cerca de 21,2 mil litros por segundo do Cantareira para abastecer a Grande São Paulo. Somado aos 3 mil litros liberados para Campinas, o déficit no mês deve ficar em 18,2 mil litros por segundo. /F.L.

OESP, 20/05/2014, Metrópole, p. A16

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