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Visões e versões sobre o que é ser indígena

Gazeta Digital - http://www.gazetadigital.com.br/
Autor: Leidiane Montfort
27 de jul de 2010

Nesse final de semana será realizada em Cuiabá a terceira edição do Vídeo Índio Brasil (VIB)- um festival que leva ao público filmes com temática indígena. Na capital de Mato Grosso, que é uma das cem cidades brasileiras contempladas, o festival acontece no auditório do Museu Rondon e no Auditório do Zoológico, ambos na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Além dos filmes, a programação local, que segue até o dia 07 de agosto, contará com palestras, exposições e música. A realização aqui no estado é da Associação dos Amigos do Museu Rondon (Asamur) que vê na iniciativa uma maneira de fomentar o acesso do público a temática indígena.

O tema do Vídeo Índio Brasil 2010, que tem sede esse ano em Campo Grande (MS) é A Imagem dos Povos Indígenas no Século 21, e ressalta a importância de dar visibilidade social aos povos indígenas por meio dos meios audiovisuais e veículos de comunicação. Nesta edição 80 filmes participaram da disputa em todo o país para compor a mostra audiovisual do projeto. A curadoria do VIB selecionou longas e curtas-metragens nas categorias documentário, ficção e animação, compondo uma diversidade de produções realizadas por índios e não-índios que apontam, por meio do audiovisual, peculiaridades das culturas indígenas de todo o Brasil.

Entre eles estão Já Me Transformei em Imagem, de Zezinho Yube, que conta com a participação do povo Hunikui (Kaxinawá) do Acre, e relata a importância do registro audiovisual para a perpetuação da história da etnia - do tempo do contato, o cativeiro nos seringais até o trabalho atual com o vídeo. Há ainda o filme De Volta à Terra Boa, de Vincent Carelli, um registro sobre os Panará que narram a trajetória do reencontro de seu povo com seu território original, desde o primeiro contato com o homem branco, em 1973, passando pelo exílio no Parque do Xingu (MT), até a luta e reconquista da posse de suas terras. Ambas as produções são do Vídeo nas Aldeias.

Outros filmes que ainda compõem a mostra audiovisual são: Mokoi Tekoá Petei Jeguatá Duas Aldeias, Uma Caminhada, de Ariel Ortega, Jorge Morinico e Germano Benites (Vídeo Nas Aldeias) sobre o cotidiano de duas comunidades Guarani na região sul do Brasil que, sem matas para caçar e sem terras para plantar, dependem da venda de artesanato nas cidades para sobreviver. A ficção de Marcos Bechis, Terra Vermelha, fala sobre o conflito de terras dos Guarani-Kaiowá em territórios indígenas de Mato Grosso do Sul enquanto Corumbiara, de Vincent Carelli, premiado documentário brasileiro e vencedor do Kikito no Festival de Gramado 2009, denuncia o massacre dos índios Akuntsu e Kanoê (Rondônia).

O VIB- Desde 2008 o Vídeo Índio Brasil é realizado em Mato Grosso do Sul, estado com a segunda maior população indígena do país, tendo Campo Grande como cidade sede e como objetivo fortalecer e divulgar a temática indígena no Brasil. "O VIB tornou-se um dos principais programas referentes à difusão das culturas indígenas no país. Como o Brasil é signatário da Convenção Mundial da Diversidade Cultural, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), estamos dando nossa contribuição", resume o idealizador, e diretor do VIB, o produtor cultural Nilson Rodrigues.

Na telona, visões e versões sobre o que é ser indígena. É a mostra nacional Vídeo Índio Brasil que vai de 31 de julho até 8 de agosto, com exibição de 19 vídeos em 101 cidades brasileiras. Muitas produções são de autoria, execução e edição de indígenas, que realizaram os vídeos através do projeto do Minc chamado Vídeo nas Aldeias. É uma excelente oportunidade para conhecer mais sobre o folclore, a história e a resistência dos primeiros povos brasileiros, narrada na voz dos protagonistas desse roteiro.

O Vídeo Índio Brasil 2010 é patrocinado pelo Ministério da Cultura, Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural e Secretaria do Audiovisual. O projeto nasceu de uma mostra cinematográfica do 4 Festival de Cinema de Campo Grande FestCine Pantanal, em 2007, em uma realização do CineCultura. No ano seguinte o projeto tomou forma e as duas edições realizadas (2008 e 2009) contaram com o apoio do Ministério da Cultura, da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural e do Fundo Nacional de Cultura. O festival teve ainda apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério do Turismo. Em 2008, três cidades participaram do Vídeo Índio Brasil: Campo Grande, Dourados e Corumbá. No ano de 2009 o projeto ampliou seu circuito de exibição para sete cidades de MS. (Com Assessoria)

Para mais informações visite o site: www.videoindiobrasil.org.br.

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