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Autor: Eduardo Sales de Lima
29 de Jul de 2010
As populações desalojadas forçadamente por grandes obras de infra-estrutura, como usinas hidrelétricas são, na maioria dos casos, as principais vítimas dessas construções. No caso do Complexo de Hidrelétrico do Rio Madeira, muitas famílias atingidas compunham sua renda e modo de vida com o extrativismo tradicional ligados à dinâmica sazonal do rio, como a pesca, a coleta de frutos e o plantio de hortaliças e leguminosas nas ribeiras do rio.
A vila de pescadores de São Sebastião, retrata bem o caso dessas famílias atingidas. Ela está localizada próxima à construção da usina hidrelétrica Santo Antônio, a sete quilômetros de Porto Velho (RO). "Aqui era uma boa área para pescar", conta Regino, pescador e morador do local. Ele explica que, por causa da construção da barragem, já não ocorre o fenômeno da piracema como antes do início de sua construção. "Já no ano passado, por causa da construção, só subiram os (peixes) 'barbas-chatas'", conta Regino. Existem no rio Madeira mais de 750 espécies de peixes.
Outro morador da vila é Raimundo. Há 14 anos trabalhando como pescador, ele revela que agora, em julho, seria a melhor época do ano para pescar. "Por causa da usina, a quantidade de peixe é bem menor. Agora, era época de pescar apapá e piramutaba", explica, com saudade de tempos idos. "Aqui dava muito dourado, de três a quatro por dia", arrebata. Segundo ele, o que piorou a condição dos pescadores é que o consórcio Santo Antônio Energia proibiu a pescaria em diversas localidades próximas à vila.
Proibida de pescar, a maioria dos moradores da Vila São Sebastião não teve outra opção a não ser trabalhar para uma empresa de proteção à fauna e à flora, contratada pelo consórcio. Os pescadores recebem, em média, R$ 700 pelo serviço. Porém, segundo Raimundo, a renda não melhorou, simplesmente porque esses "R$ 700, a gente fazia por semana, e só vendendo dourados".
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