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Vidigal diz que brasileiro deve preservar e defender Amazônia

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
31 de Mar de 2005

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, chegou no final da tarde de ontem em Boa Vista. Ele viaja por toda a região Norte do Brasil visitando os judiciários estadual e o federal, ouvindo eventuais reivindicações da magistratura e anunciando projetos de interesse do Poder Judiciário. Na primeira entrevista em solo roraimense, o ministro falou sobre a importância dos brasileiros preservarem e defenderem a Amazônia.
Desde o desembarque até a sala vip do aeroporto, o ministro dedicou especial atenção ao chefe do Gabinete Civil do Estado, Luiz Clerot. Abordado por jornalistas, Edson Vidigal, disse que escolha para visitar todos os estados da região norte era emblemática, porque a partir dessa região o Brasil se realiza e a partir da Amazônia o Brasil marca presença no restante do mundo.
"Esta Amazônia é tão cobiçada que nós, como brasileiros, temos dever de preservar e garantir sua defesa. Nós precisamos compreendê-la para que o resto do país veja que o Brasil se completa, o Brasil se reencontra, o Brasil se realiza", declarou.
Conforme o presidente do STJ, o Poder Judiciário Nacional, após a redemocratização que ainda não se completou com a Constituição de 1988, quase duas décadas depois, todos devem compreender a necessidade de que a democracia se realize plenamente no Brasil. "Democracia não se realiza sem estado de direito, estado de direito não existe sem Poder Judiciário e o Poder Judiciário não pode ser apenas uma coreografia na composição dos três poderes. O Poder Judiciário tem que ser, sim, a afirmação da sociedade brasileira no reencontro da afirmação dos seus direitos".
Questionado sobre a criação de extensas reservas indígenas engessando mais de 50% do território da região amazônica, o ministro destacou que o país tem também as reservas das grandes metrópoles, as reservas destinadas à miséria, ao atraso, ao subdesenvolvimento, como no Nordeste onde existem grandes contingentes de miseráveis, de excluídos.
"Indígenas, não indígenas, brasileiros, todos nós temos obrigação de defender o mesmo torrão natal. Tanto as autoridades quanto os nativos, tanto os indígenas quanto os pobres, tanto os pobres quanto os miseráveis, o miserável quanto todos nós. Para estas questões devemos encontrar soluções entre nós mesmos. Temos que estar atentos às explorações. Devemos estar atentos àqueles que imaginando defender interesses nativos estão a defender interesses internacionais inconfessáveis", declarou o ministro.
De acordo com Edson Vidigal, a população deve imaginar que é dever do povo brasileiro, através do Estado Brasileiro, defender a cultura e as tradições dos povos indígenas, do mesmo modo como defende a cultura e as tradições dos afro-descendentes, dos ítalo-descendentes e aqueles oriundos de todas as raças e povos. "Os indígenas são tão brasileiros e irmãos nossos quanto nossos irmãos de família e de sangue".
Indagado sobre qual o seu entendimento do ponto de vista jurídico quanto à área contínua ou descontínua da reserva Raposa/Serra do Sol, Vidigal respondeu: "O nosso entendimento é técnico, e do ponto de vista técnico decidimos nesse sentido, de modo que não há nada contra ninguém, tudo a favor do Brasil".
AGENDA - A partir das 8h30 Edson Vidigal terá encontro com magistrados na Sala das Sessões do Tribunal de Justiça de Roraima. Devido ao atraso na chegada ao Estado, a expectativa é que no final desta manhã ele se reúna com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Oneildo Ferreira. A programação será encerrada com uma visita à Justiça Federal.
Ontem à noite o ministro e sua comitiva participaram de jantar oferecido aos magistrados pelo governador Ottomar Pinto (PTB).

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