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Vida nova para a madeira cortada ilegalmente

O Globo, Rio, p. 20
31 de Mar de 2012

Vida nova para a madeira cortada ilegalmente
Arquiteto japonês Shigeru Ban, que participa do Arq.Futuro, aceita convite para trabalhar com material apreendido

Cristina Tardáguila
cris.tardaguila@oglobo.com.br
Leonardo Lichote
llichote@oglobo.com.br

O arquiteto japonês Shigeru Ban, que participa do Arq.Futuro - debate sobre arquitetura que tem apoio do GLOBO - aceitou ontem convite da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e, a partir de junho, trabalhará num projeto que pretende usar toda a madeira ilegal apreendida no país - cerca de um milhão de metros cúbicos nos últimos três anos, segundo o Ibama - para erguer escolas, creches e centros comunitários.
- É, sem dúvida, uma oportunidade muito interessante e desafiadora. Não tinha como dizer não - conta Shigeru. - O objetivo é pegar essa madeira que está morta, não tem mais futuro, e lhe dar um destino útil, uma nova vida.
Segundo o arquiteto, mundialmente conhecido por atuar em áreas afetadas por grandes desastres naturais, o trabalho começará a partir de junho, quando voltará à cidade para participar da Rio+20.
- Por enquanto, preciso, primeiro, conhecer o material, a madeira. Depois, a necessidade das pessoas que vivem na região de onde ela foi extraída, majoritariamente na Amazônia. Minha ideia é executar um projeto que seja, sobretudo, útil no dia a dia delas.
A ministra Izabella já fala em "casas, creches e centros comunitários" erguidos com a madeira que "está armazenada principalmente no Pará, Mato Grosso e Rondônia".
- Shigeru é o grande arquiteto das tragédias e topou vir trabalhar com esse material perdido. Quem sabe não fazemos módulos para vítimas de inundações. Coisas com estética bonita e construção sustentável - disse a ministra, acrescentando que "será um trabalho gratuito".
Em sua palestra de ontem, no Espaço Tom Jobim, o arquiteto apresentou os fundamentos de sua obra e, com eles, sua filosofia. Suas construções são uma defesa viva do uso criativo de materiais como papelão; do conceito de reaproveitamento; de espaços abertos que conectem as edificações aos cenários que as cercam; e, sobretudo, do respeito tanto a projetos milionários quanto a baratíssimas habitações para desabrigados.

O Globo, 31/03/2012, Rio, p. 20

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