O Globo, O País, p. 8
16 de Mai de 2008
Viana recusa convite feito por futuro ministro
Ex-governador diz que não aceita 'de jeito nenhum' proposta para coordenar Programa Amazônia Sustentável
Adauri Antunes Barbosa
O ex-governador do Acre Jorge Viana (PT) afirmou ontem que não quer "de jeito nenhum" um cargo no governo federal, ao comentar a intenção do futuro ministro do Meio Ambiente, Carlos Mine, de convidá-lo para ser o coordenador-executivo do Programa Amazônia Sustentável (PAS). Viana se recusou, porém, a jurar que não aceitaria um convite para participar do governo Lula.
- Não vou de jeito nenhum.
Agora, vou de corpo e alma ser uma colaborador do Minc, no primeiro momento um colaborador do PAS. Tem outras nuances, tem uma série de coisas.
Cheguei a um consenso com o presidente Lula, ontem de manhã (anteontem), de que meu nome deveria estar fora da discussão por circunstâncias locais, por faltar pouco para 2010 - disse Viana, em entrevista à "Rádio BandNews FM".
"Não posso jurar de pés juntos", diz Viana
Viana, que hoje trabalha na iniciativa privada, afirmou que não podia "jurar de pés juntos" que não aceitaria integrar a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Não, não posso jurar de pés juntos, porque depois fica um caminho aberto para eu não voltar atrás. Coloco para o presidente que me sinto, mesmo estando fora do governo, como parte desse governo, à disposição para ajudar. Agora, ocupar cargo, função, disputar espaço, aí não contem comigo, que não vai ter.
O secretário especial para Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, indicado pelo governo para coordenar o PAS, foi criticado por Viana. Segundo o ex-governador, a indicação de Mangabeira para a coordenação do PÁS - gota d'água que levou Marina Silva a deixar o Ministério do Meio Ambiente - foi uma "barbeirada".
- Respeito muito o ministro Mangabeira. Ele é um grande professor de Harvard. Mas, em matéria de Amazônia, acho que ele é um aluno. Acho que, realmente... a coordenação do programa, ele está aí pensando idéias, ajudando a construir os programas, tudo bem. Agora, coordenar esse programa eu acho que foi uma barbeirada.
Se ninguém tem coragem de dizer, está mal-colocado. Porque, até onde eu sei, o ministro Mangabeira tem um papel de pensar, de ter alguns programas no futuro. Mas o ministério dele não tem estrutura para tocar um projeto desse.
Para o ex-governador, a coordenação do PAS deve ficar com o Ministério do Meio Ambiente:
- É muito importante que o PAS, que demorou seis anos, tenha uma participação do ministro Mangabeira. Mas acho que tem de estar no Meio Ambiente.
Sinceramente, sabe por quê? Porque senão o Meio Ambiente fica só com o ônus; quer dizer o Meio Ambiente tem uma agenda negativa, tem que proibir, tem que botar a polícia, tem que prender. Aí, quando vem o programa que pode criar os incentivos, que pode fazer uma agenda positiva, aí tira. Fica meio esquisito isso. E o Meio Ambiente é que tem uma estrutura melhor para coordenar isso.
O Globo, 16/05/2008, O País, p. 8
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