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VI Congresso da Coordenação de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica

Site do ISA-Socioambiental.org-São Paulo-SP
Autor: Valéria Macedo
21 de jun de 2001

COICA elege índio do Acre como coordenador geral

Realizado em Letícia, na Colômbia, de 11 a 15 de junho, o encontro contou com a participação de 97 lideranças indígenas dos nove países amazônicos e uma dezena de observadores vindos de organizações parceiras convidadas.

O brasileiro Sebastião Machineri, da etnia Machineri, membro da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e da UNI-Acre (União Nacional dos Índios), foi eleito por aclamação o novo coordenador geral da COICA (Coordinadora de Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica). Jocelyn Thérèse, dirigente da FOAG (Federação de Organizações Ameríndias da Guiana Francesa), foi eleito vice-coordenador.

A COICA agrupa lideranças de mais de 400 povos indígenas reunidos em organizações provenientes dos nove países que integram a Amazônia (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Bolívia). O Congresso representa sua autoridade máxima e é composto por delegações de dez membros de cada país. A cada quatro anos, os delegados se reúnem para tomar decisões políticas e eleger o novo Conselho Diretor.

Mudanças de estilo

Vincent Brackelaire, sociólogo e antropólogo presente ao Congresso como observador, aponta que um brasileiro na coordenação geral da COICA poderia apresentar mudanças no estilo administrativo, anteriormente a cargo de índios amazônicos dos países andinos - o colombiano Antônio Jacanamijoy (1995-2001), o equatoriano Valerio Grefa (1992-95) e o peruano Evaristo Nungkuak (1988-92). Assumir a direção de uma das organizações mais importantes do mundo representa uma etapa histórica do movimento indígena no Brasil, diz Machineri. Ele afirma que uma das mudanças que pretende implementar é a descentralização das informações e eventos, de modo que as organizações nacionais possam participar mais das discussões e decisões da agenda internacional como membros da COICA. De modo geral, porém, ele dará continuidade às atividades do antigo coordenador, defendendo a posição dos povos indígenas amazônicos em questões como globalização e o Plano Colômbia, o qual, a seu ver, tem prejudicado as pessoas que vivem na região em nome do combate ao tráfico de drogas.

Participação assegurada

A principal atividade da COICA, fundada em 1984, com sede em Quito, no Equador, é assegurar a participação dos povos indígenas amazônicos na agenda internacional. Isso lhes garante representatividade em convênios sobre biodiversidade, propriedade intelectual, mudanças climáticas, no fórum permanente da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre questões indígenas, e na Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), entre outros.

No Congresso, apenas os delegados têm poder de voto e, além da eleição do coordenador geral e do vice, foram eleitos os novos coordenadores de área que integram o Conselho Diretor. A participação das mulheres em funções administrativas da COICA também esteve em pauta. Foi consenso entre os participantes que elas podem participar das delegações e ocupar cargos de direção. As regras da COICA são independentes da tradição de cada povo, explica Machineri. Porém nenhuma cota de participação obrigatória foi estabelecida. Hoje, além da recém- eleita Dioci, da OIS (Organizações Indígenas do Suriname)como coordenadora da área de Direitos Humanos, há apenas mais uma mulher dirigente na organização indígena da Guiana Francesa (FOAG), país que deverá abrigar o próximo congresso em 2005.

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