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Vereadores prometem audiência pela Saúde Pública

Dourados Agora
07 de Mar de 2008

Trajando luto, cerca de 300 servidores, universitários parlamentares e representantes de entidades que dependem do SUS, realizaram na manhã de ontem no Hospital Universitário (HU), um protesto em favor da Saúde Pública. Conforme divulgou ontem o Douradosagora, os grupos reivindicam a liberação de verbas do Estado que, segundo a Prefeitura, deixaram de ser repassadas desde o governo de José Orcílio, o Zeca.

Presentes no manifesto, que encerrou com um minuto de silêncio, os vereadores Eduardo Marcondes (PMDB), Sidlei Alves (DEM), Elias Ishy e Zé Silvestre, ambos do PT, informaram ao Douradosagora que pretendem realizar uma audiência pública na Câmara, no próximo dia 14. Marcondes adiantou em primeira mão ao Douradosagora e O PROGRESSO, que o partido pretende sugerir ao governador o retorno dos repasses. Em troca, o prefeito retiraria a ação judicial ganha na justiça, que obriga o Estado a pagar 41 parcelas atrasadas.

Durante o ato, o secretário municipal de Saúde, João Paulo Esteves informou que o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) encaminhou um documento à Prefeitura de Dourados, cujo relatório final recomenda que o governo do Estado repasse o montante de R$ 9,8 milhões para a Saúde de Dourados. O processo será protocolizado no Ministério Público Estadual nos próximos dias. Segundo o secretário, a intenção da Prefeitura não é a de enfrentamento, mas de acordo.

Para a diretora do Hospital Universitário, Dinaci Ranzi, a manifestação foi uma alternativa para sensibilizar o poder público quanto à destinação de verbas para o HU, que atende Dourados e outros 34 municípios. Segundo ela, o hospital está com um déficit de R$ 800 mil neste mês e já acumula R$ 5 milhões em dívidas com fornecedores.

Os universitários do curso de Medicina também marcaram presença. Com faixas de protestos, os mais de 50 estudantes se posicionaram a favor do hospital. De acordo com a coordenadora do Centro Acadêmico de Medicina da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Rebeca Esteves, a crise na saúde afeta a formação dos estudantes. "Com setores clínicos fechados, dificilmente os acadêmicos terão espaço suficiente para estagiar", disse.

COMOÇÃO

A médica Denize Córdoba se diz preocupada com as conseqüências que a crise pode trazer para os pacientes. "Há dez anos, quando cheguei em Dourados, vi como a Saúde era precária. Vi também quanta coisa mudou de lá para cá, e as conquistas que tivemos. E agora como ficam nossas crianças se as UTIs fecharem? Vamos esperar que elas morram?", indaga emocionada, observando que com os cortes, as UTIs e pediatria poderão ser os primeiros a fechar as portas. O presidente do Conselho Indígena do Estado, Fernando de Souza, diz que mais de 62 mil índios de oito etnias são atendidos pelo SUS. "Se não houver acordo, haverá muitas mortes nas aldeias", estima. (Colaborou Valéria Araújo)

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