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A verdadeira imagem de um povo

Jornal de Brasília (Brasília - DF)
13 de abr de 1982

Exposição tem réplica de maloca

Na III Moitara - Exposição e Feira de Artesanato Indígena, em comemoração a Semana do Índio, os indígenas dos povos Wayana e Apalai do Tumucumaque apresentam uma réplica em tamanho reduzido das malocas chamadas Polotopo. Dentre os artesanatos expostos também estão presentes dos Kayapós e todo o dinheiro arrecadado durante a feira será redirecionado para cada povo.
Também hoje o ministro do Interior Mário Andreazza junto com o presidente da Funai (Paulo Moreira) será recebido no Xingu em respeito a abertura oficial da Semana do Índio.

Não há tribos na geoeconômica

Segundo o professor Roque de Barros não há indígenas na região de Brasília e sua construção não pode ser responsabilizada pelo desaparecimento desses povos, que foram afugentados na época dos bandeirantes. Os grupos mais próximos da região de Brasília seriam os Karajá e Javaé, que vivem na Ilha do Bananal. Todos esses povos, da Ilha do Bananal e de região próxima, já teriam, segundo o professor, sido assimilados culturalmente.

Educação como forma de defesa

Em convênio com a Funai a Casa do Ceará recebe indígenas em trânsito ou estudantes em Brasília. Segundo o estudantes Jeremias (Xavante), estudar é uma forma dos indígenas aprenderem coisas boas do branco e levar para as próximas gerações indígenas para que eles aprendam a se defender. Segundo ele, a Funai tem dado bastante apoio ao índio, mas chegará um dia em que o índio não precisará mais do órgão. Para ele a Semana do Índio é uma forma de mostrar o que sabe o índio à uma população desinteressada.

Estudantes

Para o professor Roque de Barros, ainda que haja um aumento no interesse pela Antropologia, há uma evasão daqueles interessados em pesquisar na área indígena. O motivo seria a dificuldade de se conseguir autorização de pesquisa da Funai. Ele vê o trabalho do antropólogo pesquisador da cultura indígena como um trabalho que não se restringe meramente ao "acadêmico", frente a necessidade de "tomar partido" ao lado dos interlocutores. Aponta, ainda, que o problema mais grave enfrentado pelos indígenas diz respeito a posse da terra, com a dificuldade da demarcação e a ameaça dos grandes empreendimentos.

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