OESP, Vida, p.A12
15 de Jan de 2005
Verba e vontade estrangeiras para preservar o Pantanal
Programa de ONG é proteger três grandes bacias hidrográficas do mundo
Cristina Amorim
Três grandes áreas alagadas no mundo - Mississippi, nos EUA, Pantanal, no Brasil, e Yangtzen, na China - têm duas características comuns: a alta diversidade biológica e o perigo de tudo sumir pela ação do homem. Para tentar minimizar o desastre, a ONG The Nature Conservancy (TNC) lançou ontem um programa de conservação dessas três grandes bacias hidrográficas, com US$ 12 milhões de recursos.
A intenção é usar o dinheiro, ao longo de cinco anos, para estimular projetos de conservação não apenas das bacias, mas de todos os componentes do ciclo hidrológico que permitem às três regiões ter tal riqueza natural.
O Pantanal, por exemplo, parte da Bacia Paraguai-Paraná e depende de um equilíbrio sensível de períodos secos e alagados, fundamentado em rios que descem do planalto onde está o cerrado. "A principal ameaça ao Pantanal é o avanço da agropecuária e a destruição das matas ciliares no cerrado", disse Ana Cristina Ramos, representante da TNC no Brasil. Então, explica, conservá-lo significa preservar outras áreas mais distantes.
A agropecuária também aparece como um dos perigos que o Pantanal corre, além de ser um dos componentes que quase destruíram a Bacia do Mississippi. Há 80 anos, a região americana estava na mesma posição de desenvolvimento que é vista hoje no Brasil. A navegação em larga escala, o uso dos rios para a produção de energia e a agropecuária secaram áreas da bacia. O projeto da TNC pretende alagar novamente esses lugares, além de recuperar fauna e flora locais. "O Mississippi mostra que a recuperação ambiental é muito mais cara do que a conservação", disse Ramos.
Águas na Ásia
Na Bacia de Yangtzen, os desafios não são diferentes. Assim como Brasil e EUA, a China é um dos maiores produtores de soja e o avanço das áreas cultivadas ameaça a saúde da região.
A bacia já comporta a maior hidrelétrica do mundo, a Three Gorges. Apesar de a área onde está instalada não fazer parte do projeto da TNC, ela mostra como a ação desenvolvimentista do homem tem forte presença na região. "A intenção é entender a biodiversidade na Bacia de Yangtzen e descobrir maneiras de protegê-la", disse Roger Faure, da TNC. "A água na região é bastante usada para irrigar plantações e precisamos descobrir como dar continuidade à atividade com eficiência e de forma sustentável."
O dinheiro para o projeto foi dado pela Catterpillar, fabricante de máquinas agrícolas, para construção e terraplanagem, por exemplo. Os EUA terão US$ 5 milhões, China e Brasil ficam com US$ 2,5 milhões cada um, e US$ 2 milhões serão investidos em um centro virtual para intercâmbio de dados.
Para Ramos, a divisão da verba não tem um caráter de "compensação" ambiental causado por danos indiretos dos produtos da Catterpillar - que possui forte presença histórica na região do Mississippi. "Se assim fosse, o Brasil e a China não receberiam valores iguais, já que as ações da empresa são diferentes nos dois países."
OESP, 15/01/2005, p. A12
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