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Veracel planeja novas fabricas: duas unidades de papel e celulose tambem deverao ser instaladas no Sul da Bahia

JB, Economia & Negocios, p.A22
26 de Nov de 2003

Veracel planeja novas fábricas
Duas unidades de papel e celulose também deverão ser instaladas no Sul da Bahia

Claudio de Souza
EUNÁPOLIS, BA - A Veracel estuda a instalação de mais duas fábricas de celulose na divisa dos municípios de Eunápolis e Belmonte, no Sul da Bahia, onde já está construindo uma unidade com capacidade de produção de 900 mil toneladas por ano e início de operações previsto para julho de 2005. As obras da primeira fábrica da companhia, que pertence ao grupo sueco-finlandês StoraEnso (50%) e à brasileira Aracruz (50%), começaram em setembro. São previstos investimentos de US$ 1,25 bilhão no projeto, que, segundo Nils Grafstrom, diretor para a América Latina da StoraEnso, representa o maior empreendimento privado iniciado este ano no país.
As duas unidades, com capacidade de produção de 900 mil toneladas cada, entrariam em operação em 2010, mas, segundo Grafstrom, dependem ainda do comportamento do mercado internacional. O executivo não quis estimar qual seria o investimento nos novos projetos. Reconheceu, no entanto, que seriam inferiores ao que a empresa está realizando atualmente, porque as unidades seriam instaladas no mesmo local da primeira fábrica e aproveitariam a infra-estrutura existente.
Para viabilizar as duas unidades, a companhia também terá de triplicar a área plantada de eucalipto, utilizado na produção de celulose. Atualmente, a empresa tem uma área plantada de cerca de 60 mil hectares no Sul da Bahia. O presidente da Aracruz, Carlos Aguiar, disse que a região tem 2 milhões de hectares de áreas já devastadas que poderiam ser utilizadas para o plantio de eucalipto.
- O Brasil está começando a ter um gargalo no plantio de madeira para fabricação de celulose. Tem de se pensar em começar a aumentar a área plantada - avaliou o presidente da Aracruz, que já enfrentou problemas na expansão do plantio de eucalipto no Espírito Santo por causa de ações judiciais de ambientalistas.
Aguiar e Grafstrom acompanharam ontem a visita da rainha Silvia, da Suécia, às unidades da empresa e à inauguração de uma escola construída pela Veracel, com o nome da monarca. Na ocasião, a Veracel doou R$ 200 mil à ONG World Childhood Foundation, criada pela rainha e que apóia programas de combate à exploração sexual infantil na Bahia.
Metade da produção na fábrica da Veracel será destinada ao mercado interno. A StoraEnso produz, por ano, 7 milhões de toneladas de papel e 6 milhões de toneladas de celulose. Segundo Grafstrom, é o maior produtor de papel do mundo. A Aracruz é a maior fabricante de celulose do Brasil, com uma produção de 2,4 milhões de toneladas por ano.
Grafstrom afirmou que a escolha do Sul da Bahia se deve ao clima, adequado ao plantio de eucalipto. Ele disse estar confiante na estabilidade econômica do país.
- Quando uma empresa estrangeira faz um investimento deste porte, é porque tem muita confiança no país.
O executivo acrescentou que o governo da Bahia deu isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aos equipamentos para instalação da fábrica. O projeto da Veracel no Sul da Bahia começou em 1991, quando a empresa ainda se chamava Veracruz Florestal e pertencia ao grupo Odebrecht. A entrada da sueca Stora ocorreu em 1997, antes da fusão com a finlandesa Enso, em 1999. A Aracruz entrou no empreendimento em 2000 e a Odebrecht vendeu o restante de sua participação este ano.
Quando a fábrica entrar em operação, a previsão da Veracel é de que serão gerados 10 mil empregos diretos e indiretos na região. Atualmente, as atividades de plantio e corte de eucalipto da companhia geram 2 mil empregos diretos e indiretos e as obras da fábrica, 1.800. No pico das obras, em meados do ano que vem, serão 12 mil empregos. A empresa criou em julho um programa de capacitação de mão-de-obra que treinará, em um ano, 5.500 moradores da região. Estes trabalhadores serão absorvidos pelas prestadoras de serviço e pela própria Veracel.
JB, 26/11/2003, p. A22

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