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Veracel investe U$$ 1,25 bi em industria na BA

OESP, Economia, p. B7
26 de Nov de 2003

Veracel investe US$ 1,25 bi em industria na BA
Fábrica de celulose é considerada o maior investimento privado do governo Lula

Renée Pereira
Enviada especial

Não é por acaso que a fábrica de celulose da Veracel, em construção desde agosto no sul da Bahia, está sendo considerada o maior investimento privado do governo Lula. A indústria vai absorver US$ 1,25 bilhão, produzir 900 mil toneladas de celulose por ano, criar cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos e será a maior do gênero com linha única de produção no mundo. Mas os planos não param por aí. A empresa já estuda a instalação de duas novas unidades no parque industrial, localizado entre os municípios de Eunápolis e Belmonte, a partir de 2010. As duas fábricas triplicariam a produção da companhia - criada em parceria entre a brasileira Aracruz Celulose e a sueco-finlandesa Stora Enso, cada uma com 50% de participação na empresa.
Mas, segundo o diretor para América Latina da Stora Enso, Nus Grasftrom, o projeto dependerá da demanda do mercado por celulose e do número de árvores (eucaliptos) para abastecer a produção da Veracel. O que exigiria a aquisição de novas áreas para plantação. Ele garantiu, no entanto, que há muitas terras
na região que podem ser exploradas. Hoje a empresa tem 65 mil hectares de plantio da espécie. "O lugar (sul da Bahia) tem condições excelentes para a formação de florestas de eucalipto", destaca Grasftrom, que participou ontem da inauguração de uma escola para a comunidade de Barrolândia, distrito de Belmonte, ao lado da rainha Silvia, da Suécia.
A instituição de ensino foi doada pela Veracel aos moradores do local. Na ocasião, a empresa doou ao Instituto WCF, fundado pela rainha Silvia e que tem 42 projetos sociais espalhados pelo Brasil, R$ 200 mil. Os recursos foram repassados ao Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA), que atua na Bahia.
A construção da fábrica está em fase de terraplenagem. Até agora já foram investidos cerca de US$ 300 milhões na área florestal e em obras de infra-estrutura, incluindo estradas e um porto especializado. Toda a produção da fábrica será destinada ao mercado externo. Os 50% da Aracruz devem seguir para Estados Unidos, Europa e Ásia, afirma o presidente da empresa, Carlos Aguiar. Já a metade correspondente à participação da Stora Enso vai abastecer as fábricas de papel da empresa no exterior, como na Europa, Estados Unidos e China.
No total, a companhia sueco-finlandesa tem cerca de 30 indústrias espalhadas pelo mundo, que produzem 6 milhões de toneladas de celulose por ano. A produção da Aracruz, maior companhia do País no setor, é de 2,4 milhões de toneladas por ano. Com a nova fábrica, esse número saltaria para 3,1 milhão de toneladas.
Segundo Grasftrom, a instalação da Veracel na Bahia deve-se principalmente às condições florestais. Mas ele admite que houve algum incentivo por parte do governo estadual. A compra dos equipamentos e maquinários para a produção da celulose, por exemplo, está isenta de ICMS. Segundo o governador do Estado, Paulo Souto, é bastante complicado competir com outras regiões sem dar incentivos para que as empresas se instalem no Estado.
Ele afirmou que até 2007, o volume de investimentos na Bahia atingirá US$ 6 bilhões. Apenas em 2003, são US$ 2,2 bilhões. Já foram assinados cerca de 84 protocolos com intenção de projetos no Estado, que inclui desde pequenas a grandes indústrias, conta Souto. Entre elas, está a fábrica de cilindros da Faber-Papaiz, que começará a operar no final do ano que vem. Outra é a Ledervin. A empresa investirá US$ 110 milhões para montar um fábrica de poliéster em Camaçari, na Bahia, afirmou o governador.
A repórter viajou a convite da empresa

OESP, 26/11/2003, Economia, p. B7

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