O Globo, Rio, p. 29
29 de Nov de 2008
Veneno ainda ameaça os peixes no Rio Paraíba
Níveis do pesticida estão muito acima do tolerável para animais. Um golfinho aparece morto na Praia de Atafona
Aloysio Balbi e Tulio Brandão
O pesticida Endosulfan, que vazou da indústria Servatis semana passada, parece não ameaçar mais o abastecimento do estado, mas a vida dos peixes da bacia do Paraíba do Sul e do mar, na altura de São João da Barra, ainda corre sério risco.
As últimas análises da Cedae indicam valores superiores aos suportados pelos peixes - no Paraíba, o valor ficou em 1,7 micrograma de pesticida por litro de água; e, no Guandu, em 0,5 micrograma. Enquanto o limite do homem é de 20 microgramas/ litro, o dos peixes é de 0,2 micrograma. Na água salgada, técnicos constataram mortes causadas pela substância.
A Cedae e a Feema acreditam que não esteja havendo mais mortandades de peixes nos rios.
Segundo a chefe do Departamento de Qualidade da Água da Feema, Fátima Soares, as mortes ocorreram há mais tempo: - Identificamos apenas peixes em decomposição no Guandu, o que indica que eles já vieram mortos do Paraíba, através da captação em Santa Cecília.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, informou que a empresa está calculando os gastos adicionais gerados com o acidente ambiental da Servatis, para cobrá-los na Justiça.
Técnicos do Cefet de Campos e do Centro de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) constataram que a onda tóxica de Endosulfan provocou mortes também na fauna marinha. Ontem, um golfinho foi encontrado morto na Praia de Atafona. Os biólogos da Uenf constataram que a morte era recente. Apesar de ainda esperar os exames, o chefe do Centro de Ciências Ambientais da Uenf, Geraldo Novelli, acredita em envenenamento.
Nos mangues, técnicos constataram a morte de dezenas de caranguejos, o que preocupa o ambientalista Arthur Soffiati, do Centro Norte Fluminense para a Conservação da Natureza:
- Os efeitos nesse ecossistema se arrastam por anos. Isso pode comprometer espécies.
A Defensoria Pública vai trabalhar para reparar as perdas dos pescadores. O defensor da União André Ordacgy e a defensora do estado Patrícia Magno ingressarão com ações de indenização e de pedido de seguro-defeso para ressarcir quem depende da pesca. O presidente da Colônia de Pescadores de São João da Barra, William Pereira, está pessimista:
- Ganhamos ações há cinco anos contra a Cataguases por um desastre semelhante e até hoje não recebemos nada.
O Globo, 29/11/2008, Rio, p. 29
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