OESP, Vida, p. A16
15 de Jun de 2010
Vazamento é 11/9 ambiental, afirma Obama
Presidente diz que tragédia moldará maneira como meio ambiente e energia são pensados
Patrícia Campos Mello, Correspondente/Washington
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comparou ontem o vazamento de petróleo no Golfo do México a um "11 de Setembro" ambiental, referindo-se aos atentados em 2001 mataram quase 3 mil pessoas.
"Da mesma maneira que nossa visão sobre nossas vulnerabilidades e nossa política externa foi moldada pelo 11 de Setembro, esse desastre vai moldar como nós pensamos sobre o meio ambiente e energia por muitos anos", disse Obama.
O presidente iniciou ontem uma viagem por Louisiana, Mississippi e Alabama, três dos Estados mais afetados, além da Flórida, e tentou imprimir um tom mais otimista, prometendo que o golfo vai ficar exatamente como era. "Eu prometo a vocês, as coisas vão voltar ao normal", disse. "E, no final, o golfo vai ficar ainda melhor do que era." Ele exortou turistas a continuar visitando as praias e disse que é seguro comer frutos do mar da região. "Almocei hoje frutos do mar e estava uma delícia."
É a quarta visita de Obama à região. Ele a finaliza hoje à noite, com um discurso que mostra como a questão se tornou importante e como ameaça o seu governo: até hoje, o presidente americano só fez discursos à nação para abordar temas como a reforma do sistema de saúde e a crise financeira. Ele quer aproveitar o desastre para pressionar o Congresso a aprovar uma lei de energia ambiciosa, com muitos incentivos à substituição do petróleo por energia renovável.
O vazamento é o pior desastre ambiental da história do país. Vazam entre 20 mil a 50 mil barris de petróleo por dia do poço da empresa BP, há quase dois meses. O derramamento equivale a mais de oito vezes o volume derramado pelo navio Exxon Valdez, o segundo maior desastre.
Amanhã, Obama se reúne com executivos da BP na Casa Branca, para discutir o fundo de compensação para as pessoas afetadas. Ele disse que pressiona a BP a pagar rapidamente todas as indenizações.
A empresa afirmou ontem que já gastou US$ 1,6 bilhão com limpeza, sem incluir centenas de processos por indenizações. Senadores democratas enviaram uma carta ao presidente da companhia, Tony Hayward, dizendo que a empresa deve reservar US$ 20 bilhões em um fundo especial para pagar custos de limpeza e indenizações. Obama deve abordar esse fundo em seu discurso hoje à noite.
Considerando que a BP deve enfrentar US$ 14 bilhões em multas ambientais se conseguir tampar o vazamento até agosto, a conta chega aos US$ 34 bilhões - bem maior que os US$ 5 bilhões estimados inicialmente.
OESP, 15/06/2010, Vida, p. A16
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100615/not_imp566630,0.php
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