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Vale: seguro não cobre danos socioambientais

O Globo, País, p. 4
17 de Nov de 2015

Vale: seguro não cobre danos socioambientais
Executivo diz que Samarco só pode voltar a operar se ganhar confiança da sociedade

BRUNO ROSA
bruno.rosa@oglobo.com.br

- RIO E LONDRES- O diretor- executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, disse que o seguro não cobre toda a responsabilidade civil referente aos impactos socioambientais causados pelo desastre, que deixou ao menos onze mortos, desalojou centenas de famílias e prejudicou o abastecimento de água em várias cidades, com grave poluição no Rio Doce. Até o momento, o Ibama anunciou que multará a Samarco em R$ 250 milhões.
- O seguro tem um valor expressivo para a interrupção do negócio (da Samarco) e o dano material. O seguro, em relação à responsabilidade civil, é bem inferior à multa que o Ibama já aplicou - completou Siani, lembrando que esta semana fará uma reunião com investidores da Samarco que compraram títulos emitidos pela empresa.
O executivo da Vale destacou ainda as ações para mitigar os impactos ambientais, como a distribuição de água potável, uso de máquinas para limpeza da lama e a contratação de uma empresa belga para reduzir os impactos no Rio Doce. O objetivo é diminuir a turbidez das águas, fruto da alta concentração de minério de ferro, por exemplo, que vem causando a morte de praticamente toda as espécies marinhas.
- Se não conseguirmos reerguer a comunidade e mostrar que há um futuro para o Rio Doce, não vamos conseguir da sociedade a licença de volta. Mas reativar a operação agora não é o foco. O Conselho de Administração da Samarco já aprovou medidas para o reforço adicional da barragem de Germano ( que apresentou trinca de até três metros) - disse ele.
SAMARCO: SEM PREVISÃO PARA OPERAÇÃO Em conferência com analistas, a Vale informou que ainda não tem previsão para que a Samarco volte a operar. A Vale é uma das proprietárias da mineradora, a quem pertenciam as barragens que romperam em Mariana, Minas Gerais. O diretor- executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, lembrou que a empresa, assim como a BHP, a outra acionista da Samarco, "vão prestar o apoio necessário para reerguer a companhia".
- É um momento de profunda tristeza por conta do trágico incidente, com as perdas humanas, o desabastecimento de água e o meio ambiente. A nossa preocupação é mitigar esses efeitos. Estamos comprometidos em mitigar isso - disse ele. - A Vale e a BHP vão prestar o apoio necessário para reerguer a Samarco. Mas não há responsabilidade solidária da Vale. Na esfera administrativa, não há responsabilidade ao acionista. A Samarco é uma empresa independente e vai responder. O compromisso é prover meios para que a Samarco consiga se reestabelecer se a sociedade assim aprovar. O obstáculo para que a Samarco volte a operar é mais com a sociedade do que técnico.
Siani lembrou que tanto a Vale quanto a BHP não podem ter interferência na gestão da Samarco.
- A Vale tem uma participação de 40% no segmento de pelotas; e a Samarco, outros 25%. Não compartilhamos a gestão nem temos o compartilhamento de funções e suporte. São equipes independentes. É natural um envolvimento maior daqui para frente - disse Siani.
Após o acidente de Mariana, a BHP, que também fez uma conferência com analistas, disse que está revisando a segurança de suas minas no Peru e na Colômbia.

O Globo, 17/11/2015, País, p. 4

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