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Vale rebate críticas e planeja criação de fundo voluntário

OESP, Metrópole, p. A20
28 de Nov de 2015

Vale rebate críticas e planeja criação de fundo voluntário
Mineradora diz não ter responsabilidade direta sobre rompimento e classifica momento como 'doloroso'

Idiana Tomazelli Mariana Durão / RIO

Vinte e dois dias após o rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em Mariana (MG), integrantes da diretoria da mineradora Vale (associada da empresa, com a anglo-australiana BHP Billiton) reafirmaram ontem que as sócias não têm responsabilidade direta pelo acidente. Em raro pronunciamento público desde a tragédia, os executivos anunciaram a criação de um fundo voluntário para a recuperação do Rio Doce, sem valor definido.
As duas empresas, segundo a Vale, planejam buscar apoio financeiro de outras companhias, instituições públicas e organizações não governamentais (ONGs). Um comitê será constituído para orientar investimentos. As iniciativas, segundo a mineradora, incluirão ações de saneamento, recuperação da mata ciliar, das nascentes e da água.
Os executivos aproveitaram para rebater as críticas à postura adotada até agora pela Vale, alegando um "buraco de governança", que impediu a companhia de intervir nas ações da Samarco. A prioridade seria para a ajuda humanitária às vítimas. "Para mim, pessoalmente, é extremamente doloroso fazer parte de um momento como esse", disse o presidente da Vale, Murilo Ferreira, no Rio. Ele mencionou o apoio dado à subsidiária com equipamentos, suprimentos e logística.
A Vale e a BHP ainda desconhecem as causas do acidente e conduzem investigações paralelas. Responsável pelo setor jurídico da empresa brasileira, Clovis Torres disse que é impossível concluir que houve negligência da Samarco antes do fim das investigações. Ele acrescentou que a Vale descarta dar apoio financeiro à controlada.
Para a companhia, as sócias só poderão ser acionadas para reparar danos ambientais caso a Samarco não tenha condições de assumir as tarefas necessárias. Segundo ele, a responsabilidade das sócias tem de ser provada. A Vale não foi notificada em ações judiciais, disse o executivo. "A Samarco não é uma empresinha qualquer. É grande e tem recursos para pagar eventuais danos causados por suas operações. Não há que se falar em provisão (reserva de recursos) no momento", afirmou.
Imagem. O prejuízo à imagem da Vale também foi abordado pelos dirigentes. A companhia foi criticada por ter demorado a se pronunciar e ter informado ser uma "mera acionista" da Samarco, embora indique metade de seu conselho e tenha usado a barragem do Fundão para depositar rejeitos da mina vizinha de Alegria. Ferreira disse não saber se faria algo diferente se pudesse voltar atrás. O teor do comunicado foi atribuído a questões jurídicas. Vale e Samarco são concorrentes no mercado global de pelotas (bolinhas de minério de ferro usadas na fabricação de aço). Por causa dessa disputa de mercado, o acordo de acionistas impede a interferência das sócias na gestão da empresa. Caso contrário, a Vale poderia sofrer sanções de órgãos de defesa da concorrência.
A Vale informou desconhecer multas do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à Samarco. Conselheiro da Samarco, o diretor executivo de Ferro- sos da Vale, Peter Poppinga, disse que o colegiado aprovou a liberação de verba para a extensão da Barragem do Fundão por recomendação da diretoria da Samarco, com base na opinião de um comitê independente.
A companhia negou que o rejeito da barragem rompida contenha materiais tóxicos, mas a diretora executiva de Sustentabilidade da Vale, Vânia Somavilla, admitiu que a passagem da lama pelas margens e pelo fundo do Rio Doce pode ter revolvido elementos nocivos, como arsênio e cromo.

OESP, 28/11/2015, Metrópole, p. A20

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