Valor Econômico, Empresas, p. B3
08 de Mar de 2017
Vale e BHP são alvo de investidores em NY
Juliano Basile
Os investidores que sofreram perdas com títulos da dívida da mineradora Samarco na Bolsa de Nova York ingressaram na Justiça americana com pedido para que a Vale e a BHP Billiton também sejam responsabilizadas a ressarci-los na ação coletiva em que alegam perdas financeiras após o rompimento da barragem do Fundão.
O pedido foi feito à Corte Distrital Sul de Nova York.
Uma emenda na ação que tem o banco Safra como líder foi protocolada na noite de segunda-feira na Justiça, em Nova York, com vários parágrafos tratando da suposta responsabilidade da Vale e da BHP, que são as controladoras da Samarco. O objetivo é fazer com que as duas companhias sejam chamadas a pagar pelos prejuízos que os detentores de títulos da mineradora tiveram após o rompimento da barragem, em novembro de 2015, em Mariana, no interior de Minas Gerais.
Antes da emenda, executivos da Vale afirmaram que o caso não se referia a eles e, portanto, não poderiam responder pela Samarco. Em evento em Nova York, no fim de novembro, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, foi questionado sobre o assunto pelo Valor PRO - serviço de informações em tempo real do Valor - e respondeu que não estava tratando da ação coletiva. "Essa ação foi contra a Samarco, e não contra a Vale nem contra a BHP. Os executivos da Vale não poderão responder sobre isso", afirmou na ocasião.
Agora, tanto a Vale quanto a BHP terão que apresentar defesa formal no processo.
Na emenda, os investidores liderados pelo Safra afirmaram que o Conselho de Diretores era formado por executivos da Vale e da BHP e que eles discutiram eventuais medidas para fortalecer as operações na barragem do Fundão, antes do rompimento. É mencionado especificamente um projeto para elevar a barragem em 20 metros, em abril de 2015, e outro de mesmo tamanho, em agosto do mesmo ano, ampliando a capacidade de mineração. "Contudo, os réus sistematicamente ignoraram os alertas sobre as condições precárias da barragem do Fundão", diz o documento ao qual o Valor teve acesso.
O texto descreve essas condições como "rachaduras visíveis" na estrutura da barragem e "sinais emergenciais persistentes". A emenda cita ainda relatório do Instituto Pristino sobre possíveis danos com o plano de expansão.
No texto, os investidores ainda destacam que as duas empresas sofreram investigações do governo brasileiro com potencial de perdas estimado em US$ 5 bilhões. Já a ação movida pelo Ministério Público em maio do ano passado contém valor ainda maior de ressarcimento - US$ 48 bilhões. Ainda não há estimativas oficiais sobre valores que seriam cobrados pelos investidores que sofreram perdas com os títulos da Samarco.
Vale e BHP Billiton evitaram fazer comentários ontem sobre a decisão de investidores de responsabilizá-las pelas perdas que tiveram em razão do rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015. As duas multinacionais do setor de mineração são controladoras - em um joint venture 5096-50% - da Samarco, cujas operações estão interrompidas desde a tragédia.
"A Vale desconhece esta ação", limitou-se a informar a companhia por meio de sua assessoria de imprensa.. "Não fomos notificados ainda", afirmou, de sua parte, a BHP, por meio de nota. (Colaborou Marcos de Moura e Souza, de Belo Horizonte)
Valor Econômico, 08/03/2017, Empresas, p. B3
http://www.valor.com.br/empresas/4891502/vale-e-bhp-sao-alvo-de-investi…
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