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Vale amplia operação em área de tragédia ambiental em Minas

O Globo - http://oglobo.globo.com/
Autor: Cleide Carvalho
01 de mar de 2020

Moradores do município de Catas Altas estão alarmados com proximidade do Projeto Mina do Fazendão de suas residências

SÃO PAULO - Quatro anos depois do desastre da barragem de Fundão, da Samarco, que poluiu o Rio Doce até sua foz, a Vale volta a ampliar suas operações no complexo de Mariana, em Minas Gerais, com o Projeto Mina de Fazendão. A iniciativa inclui a unificação de três jazidas de minério de ferro: São Luiz, Almas e Tamanduá. A nova empreitada, que fica a apenas 21 quilômetros da vila de Bento Rodrigues, destruída com o rompimento de Fundão, já provoca apreensão nos moradores do entorno. A Vale divide o controle da Samarco com a anglo-australiana BHP Billiton.

O Projeto Fazendão, que será discutido em audiência pública marcada para 5 de março, alarmou os moradores do Morro D'Água Quente, distrito de Catas Altas, município de 5 mil habitantes colado à Mariana. Na localidade vivem cerca de mil pessoas. Em dezembro passado, na primeira tentativa de audiência pública, funcionários da Vale chegaram a ser agredidos.

A principal preocupação dos moradores é que a mina está cada vez mais perto de suas casas. As residências do Morro D'Água Quente ficam distantes 600 metros da mina São Luiz. Segundo Sandra Vita, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), com a ampliação da cava para juntar Almas e Tamanduá, a distância até as residências será de apenas 300 metros:

- As crianças e os idosos são os que mais sofrem com doenças respiratórias por causa da poeira - diz ela.

Ampliação
A união das três jazidas numa só no projeto de Fazendão vai permitir um aumento da vida útil da mina em 27 anos, segundo estudo apresentado às autoridades. Contudo, o empreendimento não vai gerar novos empregos permanentes. Apenas as obras de abertura de estradas ofertarão vagas temporárias.

A ampliação das atividades pretendida pela Vale faz parte de uma retomada das atividades minerárias na região que engloba os municípios de Ouro Preto, Mariana e Catas Altas. Além do Fazendão, a produção foi retomada em outras minas. Em outubro passado, o Licenciamento Ambiental Corretivo, emitido pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais, permitiu que a Samarco voltasse a operar um complexo na região paralisado desde o rompimento da barragem do Fundão - ninguém foi condenado pela tragédia que deixou 19 mortos.

Em novembro, a Vale também recebeu autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para voltar a operar a mina Alegria, cuja produção também foi interrompida após outra tragédia, o rompimento da barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, que deixou 270 mortos em janeiro de 2019 - 11 corpos seguem desaparecidos.

Segundo o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do Projeto Fazendão, a intenção é abastecer as unidades de beneficiamento de minério da mina Alegria, da Vale, e da Samarco, que deve receber minério bruto assim que suas operações estiverem regularizadas. O minério de Fazendão é considerado importante para a atividade da Samarco de pelotização - transformação do minério em pequenas pelotas que são usadas depois na fabricação de aço.

Procurada, a Vale informou que todas as estruturas que serão utilizadas no projeto Fazendão estão dentro da propriedade da companhia, sem compartilhamento com outra empresa. Segundo a mineradora, foi fechado acordo com a prefeitura de Mariana e com a comunidade para que a operação das minas seja de 12 horas diárias de segunda a sexta, com suspensão das atividades nos fins de semana.

No último dia 21, após discussão do Conselho Municipal do Meio Ambiente, a Prefeitura de Catas Altas divulgou comunicado informando que revogou a Declaração de Conformidade para expansão do projeto da Vale. A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que o projeto de expansão da mina foi formalizado em junho de 2015 e está em fase de deliberação pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

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