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Uso de energia se aproxima de nível anterior ao apagão

O Globo, Economia, p. 22
27 de Ago de 2007

Uso de energia se aproxima de nível anterior ao apagão
Consumo 'per capita' de 170 Kwh/mês deve ser atingido em 2009

Mônica Tavares e Patrícia Duarte

Com mudanças de hábitos e mais dinheiro no bolso, o brasileiro vem aumentando o uso de energia elétrica e, até 2009, deve voltar ao mesmo patamar da época em que começou o racionamento, em 2001. Naquele momento, o consumo per capita dos consumidores residenciais era de cerca de 170 Kwh/mês. Hoje está perto de 155 Kwh/mês, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia.

Após o apagão, o consumo per capita despencou para cerca de 140 Kwh/mês em 2003, com a curva voltando a subir há pouco mais de dois anos.
Para chegar ao pico de consumo pré-apagão, o caminho é mais longo. O maior consumo por residência foi em 1998, quando a média ficou em 180 Kwh/mês. A EPE calcula que a volta para esse patamar somente se dará em 2013.

Na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a percepção é igual. Na avaliação do superintendente de Regulação da Comercialização da Eletricidade da autarquia, Ricardo Vidinich, o consumidor residencial brasileiro está mudando seus hábitos, ou seja, diminuindo um pouco a preocupação em poupar energia, que foi ao máximo com o apagão. Com o aumento do poder de compra da população, mais eletrodomésticos são adquiridos.

Ainda não avaliamos em detalhe o que pesa mais neste consumo maior das residências. Há tanto a mudança de hábito da população quanto a questão de renda - disse ele.

O Instituto Acende Brasil - formado por empresas e agentes do setor elétrico - calcula o risco de um novo apagão em 2011 em até 32%, num cenário pessimista. Para o governo, porém, o risco não passa de 5%, levando em consideração os projetos de geração que estão sendo planejados.

O consumo geral de energia cresce nos últimos anos. Segundo a EPE, de 2001 até o ano passado, ele passou de 283,257 mil GWh para 350,227 mil GWh, uma alta de quase 25%.

Chávez: atraso em gasoduto pode prejudicar o Brasil
O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou ontem que atrasos no projeto do Gasoduto do Sul podem ser "catastróficos" para o Brasil. Em seu programa dominical "Alô presidente", Chávez disse que a lentidão pode comprometer o abastecimento de gás no Brasil, visto que, segundo ele, nossas reservas têm vida útil de apenas dez anos.

- O tema do gasoduto é uma necessidade para mim, mas o Brasil esfriou (as negociações). Cada dia que se perde pode ser catastrófico para o futuro - afirmou o governante.

O projeto prevê ligar a Venezuela à Argentina, passando por Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai.

O Globo, 27/08/2007, Economia, p. 22

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