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Usina é ocupada por 600 pessoas no Pará

OESP, Nacional, p. A10
24 de Mai de 2007

Usina é ocupada por 600 pessoas no Pará
Ação mobilizou governo; presidente chegou a ordenar envio do Exército

Carlos Mendes

Aproximadamente 600 militantes ligados ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), com apoio do Movimento dos Sem-Terra e da Via Campesina, invadiram ontem a hidrelétrica de Tucuruí, no sudeste do Pará. Depois de quebrar vidraças da unidade, parte do grupo - cerca de 50 pessoas - ocupou as salas de controle e de máquinas das Centrais Elétricas do Norte (Eletronorte). A ação mobilizou o governo federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ordenar o deslocamento de tropas do Exército para a usina.

A empresa informou que a invasão não prejudicou a geração de energia e suas máquinas continuaram operando normalmente. No entanto, o Operador Nacional do Sistema (ONS) desconectou Tucuruí da rede nacional para evitar que qualquer ação dos manifestantes provocasse problemas na distribuição de energia.

À noite, os manifestantes concordaram em desocupar as instalações da usina, depois que Eletronorte obteve liminar de reintegração de posse na Justiça e negociou a concessão de cestas básicas. A sala de máquinas foi a primeira a ser liberada pelos invasores. Depois, eles liberaram o tráfego na Rodovia PA-263, que dá acesso à usina. Disseram que o movimento atingiu a finalidade de denunciar as condições em que vivem depois que perderam suas casas e roças para formação do lago de Tucuruí.

CONFRONTO

O governo foi pego de surpresa com a invasão, pois os movimentos sociais envolvidos estavam em plena negociação - com a Secretaria-Geral da Presidência e o Ministério de Minas e Energia - de uma pauta de reivindicações. Além disso, a previsão era de que todas as mobilizações do dia nacional de protestos seriam pacíficas. A invasão foi decorrência de radicalização do movimento, depois de um confronto entre manifestantes e a Polícia Militar em que um militante acabou ferido por balas de borracha. A diretora do MAB, Euvanice de Jesus Furtado, definiu a ocupação como "uma reação" à repressão violenta da PM, "que chegou atirando".

De acordo com informações do governo, a prova de que a invasão não estava nos planos nem dos próprios manifestantes, é que eles nem levavam mantimentos e água.

Lula foi avisado logo cedo da invasão pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, e ficou "muito preocupado" com o desenrolar dos acontecimentos. Uma espécie de gabinete de crise passou, então, a acompanhar quase minuto a minuto a situação. O gabinete foi formado pelo GSI, Casa Civil, Ministério de Minas e Energia, Defesa, Secretaria-Geral da Presidência, Eletronorte, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Advocacia-Geral da União.

OESP, 24/05/2007, Nacional, p. A10

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