OESP, Economia, p. B9
03 de Abr de 2013
Usina de Santo Antônio apela para linhão provisório
Hidrelétrica foi conectada a uma subestação própria enquanto não ficam prontas as linhas que vão ligar Porto Velho a Araraquara
ANNE WARTH / BRASÍLIA
O atraso nas obras da linha de transmissão que vai conectar as usinas do Rio Madeira ao sistema interligado nacional não comprometeu a geração de energia da usina hidrelétrica de Santo Antônio (RO). O empreendimento completou nesta semana um ano de operação comercial com uma espécie de "gambiarra".
A usina ficou pronta em março do ano passado, nove meses antes do previsto, em dezembro. Já as linhas de transmissão que vão ligar Porto Velho (RO) a Araraquara (SP) estão atrasadas há mais de um ano - a primeira está prevista para ser concluída em abril, e a segunda, em novembro.
Para escoar a energia, a Santo Antônio Energia investiu R$ 30 milhões numa subestação própria para conectar a usina ao sistema regional da Região Norte e à linha de transmissão Cuiabá-Porto Velho, que já existia. Isso permitiu que parte da energia fosse também para as Regiões Sudeste e Centro-Oeste. Esse arranjo provisório é capaz de suportar a energia de até 14 turbinas - atualmente, 11 estão em operação, o equivalente a 783 MW de capacidade instalada.
Mercado. Nesse período, foram produzidos 20,8 terawatt-hora (TWh), o equivalente ao consumo de uma cidade de 4,5 milhões de habitantes. Essa energia foi comercializada no mercado livre e chegou a 37 distribuidoras e 30 grandes indústrias de todo o País. Cerca de 70% da energia consumida no Acre e em Rondônia já é gerada pela usina.
Segundo o diretor-presidente da Santo Antônio Energia, Eduardo Melo Pinto, essa antecipação foi mais benéfica ao sistema elétrico brasileiro do que à empresa. Por causa de problemas na instalação das primeiras turbinas, o cronograma foi antecipado em nove meses, e não em um ano, como planejado.
A Santo Antônio Energia, porém, já havia vendido ao mercado livre uma quantidade equivalente a um ano de geração. Agora, com o nível dos reservatórios em baixa, a empresa teve de comprar o montante prometido por um preço bastante elevado.
Até o fim deste ano, a usina deve estar com 24 turbinas em operação, o equivalente a 1.700 MW de capacidade instalada. "Estamos usando uma rua, mas logo estaremos usando uma autoestrada."
Com o início das operações comerciais, a Santo Antônio Energia também antecipou o pagamento de royalties por uso de recursos hídricos do Rio Madeira. De março de 2012 a fevereiro deste ano, já pagou R$ 8,1 milhões, e a estimativa é que esse valor atinja R$ 44 milhões para o município de Porto Velho, o Estado de Rondônia e a União. A usina deve entrar em operação plena em novembro de 2015.
Acordo. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) espera que as usinas de Jirau e Santo Antônio entrem em acordo sobre uma disputa que envolve a capacidade de geração de energia elétrica no Rio Madeira.
A Santo Antônio Energia pediu ao órgão regulador autorização para elevar a cota (altura) máxima de seu reservatório em 80 centímetros, o que tornaria possível incluir seis turbinas além do previsto no projeto original. Mas essa alteração do projeto poderia comprometer a geração de energia de Jirau.
Segundo Eduardo Melo Pinto, da Santo Antônio, essa mudança permitiria aproveitar ao máximo o potencial hidrelétrico do Rio Madeira, que aumentaria em 416 MW médios a garantia física do sistema - 207 MW para Santo Antônio e 209 MW para Jirau.
Se o pedido for aprovado, a Santo Antônio Energia pretende investir R$ 1,2 bilhão em máquinas e obras. Para isso, espera contar com um financiamento complementar do BNDES e estuda a possibilidade de emitir debêntures ainda neste ano.
OESP, 03/04/2013, Economia, p. B9
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