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'Usam o caso para alimentar à xenofobia', diz procurador

Brasil Norte-Boa Vista-RR
Autor: IVO GALLINDO
11 de Fev de 2004

Polícia Federal determinou que dois estrangeiros que estavam em área indígena deixem o território brasileiro
Darlan Dias: "Esses italianos fazem parte de uma equipe de reportagem. Eu estava lá e presenciei o trabalho deles"

A conotação dada à abordagem da Polícia Federal aos fotógrafos italianos Alberto Maria Chiara e Antonino Leto, que estavam irregularmente na área indígena Raposa/Serra do Sol, foi de xenofobismo. Essa é a análise de Darlan Dias, procurador da República em Roraima, responsável pelo setor de defesa dos interesses dos índios.

Darlan Dias afirmou ontem ao BrasilNorte que os estrangeiros fizeram a cobertura jornalística da 33ª Assembléia dos Povos Indígenas de Roraima, na comunidade de Maturuca, ligada ao CIR. "Esses italianos são de uma equipe de reportagem que estava lá cobrindo o evento. Eu fui, inclusive, um dos entrevistados", comentou.

O procurador da República participou da Assembléia dos Tuxauas, assim como outras autoridades, do Ibama, da Polícia Federal e da Justiça. "Acho que estão fazendo uma tempestade num copo d'água para alimentar um sentimento de xenofobia em Roraima", enfatizou Darlan Dias ao reconhecer que o procedimento policial foi adequado.

"A Polícia Federal fez o correto. Afinal, se tem um estrangeiro no país, é preciso verificar a situação dele, seja em área indígena ou na cidade. Agora, neste caso dos italianos, a imprensa e as pessoas contrárias à homologação em terras contínuas da Raposa/Serra do Sol usaram o caso para fomentar um sentimento de xenofobia", reafirmou.

Detenção
Alberto Chiara e Antonino Leto foram detidos quando desembarcavam no aeroporto de Boa Vista. A Polícia Federal detectou que tinham visto somente de turista, ou seja, estavam trabalhando irregularmente na área indígena. Os italianos foram notificados na tarde de anteontem a deixar o país dentro de um prazo máximo de oito dias.

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