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Uruguai e Argentina retomam crise por fábrica

OESP, Economia, p. B14
03 de Out de 2013

Uruguai e Argentina retomam crise por fábrica
Autorização de aumento da produção dada pelo presidente Mujica irrita argentinos, que ameaçam recorrer à Corte de Haia

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

O presidente do Uruguai, José Mujica, autorizou ontem a empresa UPM-Kymmene (nome atual da ex-fábrica de celulose Botnia) a aumentar sua produção em 100 mil toneladas (metade do volume pedido pela companhia). A decisão de Mujica coloca o governo uruguaio novamente em rota de colisão com a presidente argentina Cristina Kirchner, que se opõe a qualquer alteração na produção da fábrica, localizada na cidade uruguaia de Fray Bentos, sobre o Rio Uruguai, na fronteira entre os dois países. "Temos de cuidar do ambiente, mas trabalhando", disse Mujica numa coletiva de imprensa em Montevidéu.
O presidente uruguaio, que durante meses tentou discutir - sem sucesso - com o governo Kirchner o aumento da produção da fábrica, lamentou ontem: "Ficamos sem espaço para negociar com a Argentina".
A UPM, graças à autorização de Mujica, aumentará sua produção de 1,1 milhão de toneladas por ano para 1,2 milhão. A fábrica, de capital finlandês, havia solicitado aumento para elevar a cota até 1,3 milhão. Porém, esse patamar foi rejeitado.
Poucas horas depois, em Buenos Aires, o chanceler argentino Héctor Timerman criticou o presidente Mujica, acusando-o de romper o diálogo "de forma unilateral". Timerman disse anunciou que a Argentina recorrerá à Corte Internacional da Haia para impedir o aumento da produção.
Após sugerir que o presidente uruguaio havia sido "extorquido" pela empresa, o chanceler disse que a decisão "afeta" a "soberania ambiental" da Argentina, além de violar os tratados entre os países. Ele citou um relatório que o governo argentino nunca havia divulgado sobre a presença de poluentes no material que a UPM despeja no Rio Uruguai.
Essa será a segunda vez que os dois países recorrem à Corte de Haia para resolver o conflito. A primeira vez, em 2010, terminou em derrota para a Argentina quando os juízes determinaram que não existiam indícios de que a fábrica contaminaria o Rio Uruguai. No entanto, a Corte criticou na época o governo uruguaio por não consultar a Argentina antes de permitir a construção da fábrica.

OESP, 03/10/2013, Economia, p. B14

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,uruguai-e-argentina-retomam…

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