O Globo, Opinião, p. 7
Autor: FORTE, Francisco Danilo Bastos
18 de Jan de 2008
Urgência no saneamento
Francisco Danilo Bastos Forte
Quase metade da população mundial - em torno de 2,6 bilhões de pessoas, incluindo 980 milhões de crianças - não tem acesso ao saneamento básico. E, mais grave, 1,5 milhão de crianças morrem anualmente, no mundo, por falta de água potável e saneamento ambiental. Os dados são da Organização das Nações Unidas (ONU) que, para melhorar a situação dessa população, instituiu 2008 como o Ano Internacional do Saneamento.
A mobilização em prol do saneamento visa a reduzir, à metade, a proporção de pessoas que não contam com saneamento ambiental. Estima-se que na América Latina, de 2005 a 2015, a cada ano cerca de 10 milhões de pessoas devem ter acesso aos serviços de saneamento, o que implica um aumento substancial nos esforços.
No Brasil, 70% das internações hospitalares de crianças são causadas por doenças de contaminação hídrica decorrentes da falta ou inadequação de saneamento e de abastecimento de água de qualidade. Os recentes episódios de suspeita de febre amarela, registrados no Centro-Oeste, que puseram mais de quarenta municípios, inclusive o Distrito Federal, em estado de alerta são um exemplo de que não se pode negligenciar com a prevenção. No âmbito do saneamento, inter venções pontuais (aterro sanitário, estação de tratamento de esgotos etc.) podem contribuir para a melhoria do quadro epidemiológico.
Existe, por parte do governo do presidente Lula, a consciência de que a melhoria das condições de saneamento é uma ação concreta de medicina preventiva. Esse investimento melhora a qualidade de vida e reduz impactos no ambiente.
Combinado com políticas de saúde e habitação, o saneamento reduz a incidência de doenças e internações hospitalares. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cada R$ 1 aplicado em saneamento representa R$ 5 de economia no atendimento ambulatorial e hospitalar.
Em 2007, o PAC/Funasa aportou R$ 4 bilhões para o setor de saneamento, para atender aos municípios com menos de 50 mil habitantes, populações indígenas, quilombos, ribeirinhos do Rio São Francisco e assentamentos rurais.
No quadro sanitário brasileiro, é premente o atendimento a essas demandas, da universalização do acesso à água potável, coleta, tratamento e disposição adequada dos esgotos sanitários e dos resíduos sólidos até a prevenção aos riscos à saúde humana, devido às condições socioambientais, para determinar uma melhor qualidade de vida para todos.
O Globo, 18/01/2008, Opinião, p. 7
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