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29 de Jul de 2009
Ação vai verificar a dinâmica das relações de gênero e raça nas políticas sociais direcionadas para a redução da pobreza, a estrutura dos serviços públicos e a forma como os beneficiários dos programas acessam os principais serviços sociais
Brasília (Brasil) - A maneira como os programas de transferência de renda atingem as populações negra e indígena do Brasil, Bolívia, Paraguai e Guatemala começará a ser pesquisada neste ano. A ação vai verificar a dinâmica das relações de gênero e raça nas políticas sociais direcionadas para a redução da pobreza, a estrutura dos serviços públicos e a forma como os beneficiários dos programas acessam os principais serviços sociais.
Desenvolvida em parceria com os governos nacionais, a série de pesquisas Retrato das Desigualdades se propõe a gerar insumos para as políticas públicas de gênero e raça. A iniciativa é liderada pelo UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), através do Programa de Incorporação das Dimensões de Gênero, Raça e Etnia nos Programas de Combate à Pobreza, IPC-IG (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo) e organismos governamentais de políticas sociais.
"Precisamos saber o quanto as mulheres negras e indígenas estão sendo beneficiadas pelos programas de redução de pobreza. Embora não tenham sido desenhados como políticas de ações afirmativas, esses programas atingem majoritamente as populações negras e indígenas, que são as mais vulneráveis à pobreza por causa da ação combinada do racismo e sexismo", diz Maria Inês Barbosa, coordenadora do programa de Gênero, Raça e Etnia do UNIFEM.
O tema foi tratado em reunião com a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), realizada no início de julho, em Brasília. Os estudos pretendem contribuir para a análise de dados das pessoas cadastradas no Bolsa Família e apontar como as dimensões de gênero e raça são consideradas no programa.
Raça e dinâmica familiar
Para Tereza Cotta, da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do MDS, a proposta do UNIFEM e IPC-IG cobre uma lacuna em relação aos indicadores de gênero e raça do programa Bolsa Família. "Temos grande expectativa para a produção de informação na temática de gênero e raça e em saber como o programa interfere na dinâmica familiar. É preciso conhecer mais para melhorar o desenho da política. É realmente um acerto de percepção", afirmou Tereza Cotta ao pontuar a demanda de análise de dados das populações quilombolas e indígenas.
De acordo com Fábio Veras, do IPC-IG, a população de rua também pode ser incluída nos estudos dos programas de transferência de renda. "Não há outros programas que incluam a população de rua, por isso mesmo a experiência brasileira é inovadora", disse Veras.
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