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Unicef aponta descaso com indiozinhos

Dourados Agora-Dourados-MS
Autor: Marcos Santos
26 de Set de 2005

Fotografia da criança índia que ilustra a campanha

O Fundo das Nações Unidas para Infância e Juventude (Unicef), que é um braço da ONU em defesa das crianças em todo o mundo, está distribuindo material impresso em todo o Brasil, mostrando o descaso das autoridades com as crianças indígenas em Mato Grosso do Sul e citando especificamente o caso de Dourados onde dezenas de indiozinhos morreram de fome no início deste ano. Em carta assinada pelo humorista Renato Aragão, embaixador da Unicef, a sociedade brasileira está sendo informada sobre a morte de crianças por desnutrição e falta de água potável nas aldeias de Dourados.

Na carta, acompanhada por fotografia de uma criança índia de Dourados, a Unicef explica à sociedade que enviou uma missão à aldeia Bororó e constatou que a falta de nutrientes fundamentais está matando as crianças indígenas e lembra que, pelo fato delas estarem desnutridas, estão muito mais expostas a doenças comuns da infância e morrendo até por infecções simples, que poderiam ser evitadas.

Halim Girade, que liderou uma missão da Unicef em vistoria nas aldeias de Dourados, é taxativo em correspondência enviada ao embaixador da Unicef: "Renato, estou na Aldeia Bororó, em Dourados, MS, onde crianças morreram em 2005. A falta de água potável é uma das principais causas. Parte das crianças também está desnutrida. Recomendo agirmos junto com parceiros, pois é possível reverter essa situação", diz Halim Girade. "Não podemos deixar a pequena Beatriz (a menina índia que aparece na foto da campanha da Unicef) e outras crianças sem uma resposta", finaliza o enviado da Unicef à Dourados.

Renato Aragão alerta para o alto índice de mortalidade entre as crianças indígenas do Estado. Enquanto no resto do país, o índice é de 25 mortes para cada grupo 1000 crianças, nas aldeias de Mato Grosso do Sul este número é de 99 mortes para cada grupo de 1000, ou seja, quatro vezes maior que a média brasileira. "Morrem mais crianças indígenas em Mato Grosso do Sul que no Camboja, na Nigéria, no Senegal e até na Índia", enfatiza o embaixador da Unicef.

Em determinado trecho da carta, Renato Aragão atesta que as mortes das criancinhas indígenas poderiam ter sido evitadas e convoca a sociedade brasileira para fazer o papel que os governos não cumprem: dotar as moradias indígenas das aldeias de Dourados de água potável, distribuindo filtros e substâncias purificadoras de água, além de treinar agentes de saúde para fornecer vitaminas às crianças indígenas. "Em curto prazo, estas medidas podem reverter esta terrível situação", explica Renato Aragão.

Apontando a situação das crianças indígenas em Dourados, Renato Aragão convoca a sociedade brasileira para aderir à campanha Amigo da Criança. "Com R$ 15 mensais, por exemplo, é possível prover material e treinar agentes comunitários de saúde para acompanhar o desenvolvimento de 16 crianças", enfatiza Renato Aragão.

O humorista encerra a correspondência destacando a seriedade da campanha. "Tenho muita confiança no trabalho do Unicef, com o qual colaboro há mais de 20 anos. Acredito que juntos, você, nós e os parceiros, podemos ajudar muitas crianças em Mato Grosso do Sul e em outras partes do Brasil", salienta. "Por favor, doe agora. Você vai garantir a sobrevivência e o sorriso de uma criança", conclui.

Serviço:
Doações à Unicef para socorrer às crianças índias de Dourados, podem ser feitas pelo fone: 0800 601 8407 ou pelo site: www.unicef.org.br

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