GM, Financas, p.B3
02 de Jun de 2004
Unibanco adota critérios socioambientais
Instituição é a primeira de capital brasileiro e pioneira entre os emergentes a aderir aos princípios do Equador. O Unibanco tornou-se ontem o primeiro banco de capital brasileiro a integrar a relação de instituições signatárias dos "Princípios do Equador", um conjunto de diretrizes ambientais e sociais promovidas pelo International Finance Corporation (IFC), o braço financeiro do Banco Mundial. Estas diretrizes definem como os bancos participantes devem atuar para financiar projetos de grande escala, com valores acima de US$ 50 milhões. Já participam os bancos com filiais no Brasil, cujas matrizes são signatárias do pacto.
"Esta adesão tem, como princípio o fato de que a sociedade dará cada vez mais importância às questões socioambientais", afirma o diretor de Project Finance do Unibanco, Adhemar Kajita. Ele conta que o banco aplica estes critérios desde 2002 nos repasses de recursos do IFC. Ao aderir formalmente aos "Princípios do Equador", o Unibanco passará a aplicar seus critérios a todos os projetos de infraestrutura de valor superior a US$ 50 milhões, independentemente da linha de financiamento que utilizem.
"O Unibanco também é pioneiro entre os bancos de países em desenvolvimento nesse grupo", diz.
A partir de agora, para receber financiamento do Unibanco, todos os projetos que se enquadrarem nas regras dos "Princípios do Equador" serão submetidos a uma classificação de acordo com seu nível de risco socioambiental, com notas que vão de "A" (alto risco socioambiental), B (médio risco), e C (baixo risco).
Segundo o diretor, os projetos classificados como "A" deverão ser acompanhados de um plano de ação para mitigar seus riscos.
Atualmente, o Unibanco participa de três grandes operações com recursos repassados pelo IFC em parceria com outras instituições globais de fomento, como o banco alemão DEG e que são exemplos de projetos que seguem os Princípios do Equador: América Latina Logística (ALL), Latasa e a exploração do campo petrolífero BS3 (Bacia de Santos 3).
A avaliação socioambiental de cada projeto inclui quesitos como desenvolvimento sustentável e uso das fontes de energia naturais renováveis; proteção à saúde, à diversidade cultural e à biodiversidade; sistemas de saúde e de segurança, prevenção contra incêndio e de riscos à segurança; impactos socioeconômicos; reassentamento involuntário de populações; impacto nas comunidades e povos indígenas; eficiência na produção, distribuição e consumo de energia; prevenção e controle da poluição.
GM, 02/06/2004, p. B3 (Finanças & Mercados)
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