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União terá programa de compra de áreas para reserva indígena

Valor Econômico, Brasil, p. A4
22 de Nov de 2013

União terá programa de compra de áreas para reserva indígena

Yvna Sousa
De Brasília

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ontem que o governo federal vai criar um programa, com recursos do Orçamento da União, para permitir a aquisição de novas terras para reservas indígenas, ou indenizar proprietários rurais pela expropriação de áreas demarcadas. O objetivo é acabar com os atuais conflitos entre índios e fazendeiros.
Em outra frente, para evitar confrontos ou disputa judicial de novas áreas, o governo finalizou a minuta da portaria que vai reformular a demarcação de terras indígenas. Embora afirme que a Fundação Nacional do Índio (Funai) continuará sendo a protagonista do processo, o Ministério da Justiça vai ouvir outros órgãos e realizar uma análise mais profunda, atendendo a uma antiga demanda dos ruralistas.
"A presidente Dilma Rousseff, na semana passada, nos autorizou a dialogar com o Ministério do Planejamento com o objetivo de criar um programa de mediação de conflitos de terras indígenas com aporte de recursos orçamentários", afirmou Cardozo, durante audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
O ministro explicou que os recursos poderão ser usados de duas formas. A primeira, que também é uma reivindicação dos ruralistas, é a possibilidade de o governo pagar pelas terras. Atualmente, quando a área é considerada indígena, os fazendeiros são expropriados e só recebem indenização pelas benfeitorias, não pelo terreno. A outra maneira é a União comprar terras para criar reservas indígenas. Ainda não há estimativa de quanto será aplicado no programa.
O dinheiro será utilizado de acordo com o que apontarem as "mesas de diálogo" de cada Estado, formadas por representantes de índios, de produtores e dos governos estaduais e federal. Esses grupos já foram constituídos no Mato Grosso do Sul, para solucionar o caso da Fazenda Buriti, na Bahia e no Rio Grande do Sul.
"Se a mediação indicar que o melhor caminho é uma indenização para os proprietários, poderemos, desde que exista concordância com o Ministério Público, com o juiz e lideranças dos dois lados, ensejar uma forma de o Estado receber os recursos para poder pagar a indenização. Em outros casos, poderemos utilizar esses recursos para aquisição de terras para criar reservas indígenas", disse Cardozo.
Enquanto o programa tem o objetivo de solucionar os atuais conflitos, a portaria que regulamenta a demarcação de terras indígenas é uma estratégia do governo para minimizar os confrontos em relação a novos processos. A minuta será encaminhada na próxima semana a parlamentares e lideranças indígenas e dos produtores, para serem colhidas sugestões.
Cardozo não deu detalhes do texto. Disse que será mantida a participação da Funai no processo, mas outros órgãos mandarão informações ao Ministério da Justiça, que concentrará a responsabilidade pela demarcação de novas terras. O ministro nega que a mudança tire poderes da Funai. "É ela que tem legalmente a missão de ser a condutora do processo. Vamos criar instâncias de conciliação, instâncias de revisão que possam evitar a litigiosidade que hoje existe no processo de demarcação", afirmou Cardozo.

Valor Econômico, 22/11/2013, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/3347522/uniao-tera-programa-de-compra-de…

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