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Uma em cada três pessoas vive em casas sem árvores por perto

OESP, Metrópole, p. C4
26 de Mai de 2012

Uma em cada três pessoas vive em casas sem árvores por perto
Em plena Amazônia, Manaus tem 2o pior índice de arborização entre cidades com mais de 1 milhão de habitantes

LUCIANA NUNES LEAL / RIO
O País que vai abrigar a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, de 20 a 22 de junho, sofre com a carência de áreas verdes. Um em cada três brasileiros vive em moradias sem uma árvore sequer no entorno. São 50,5 milhões de pessoas (33% do total) em 14,9 milhões de domicílios (32%). Na Região Norte, o índice chega a 63,3% - a melhor cobertura está no Sudeste (26,5%).
Associada à pouca área verde, a precariedade na drenagem de água da chuva aumenta as chances de enchentes nas cidades. Quase seis em cada dez residências (58,5%) estão em quarteirões sem bueiros ou bocas de lobo (a pesquisa não analisou a qualidade de cada um).
De dez itens analisados nos domicílios pelo IBGE, quatro referem-se ao meio ambiente (arborização, bueiros ou bocas de lobo, esgoto a céu aberto e lixo acumulado) e seis à circulação (iluminação, pavimentação, calçada, meio-fio, rampa para cadeirante e placas de identificação). "A árvore é uma drenagem natural. Onde há pouca árvore e muita pavimentação, é importante a presença dos bueiros", diz a pesquisadora Elisa Caillaux.
A carência é acentuada em domicílios pobres. Nas moradias com renda per capita mensal de até um quarto do salário mínimo (R$ 127,50, no período da pesquisa), 43,2% não têm árvores no entorno. O índice cai quase à metade (21,5%) nas residências de renda de mais de dois salários mínimos (R$ 1,02 mil) por pessoa.
Pior e melhor. Em plena Floresta Amazônica, Manaus (AM) tem o segundo mais baixo índice de arborização - fica atrás apenas de Belém (PA) - entre as cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Apenas um quarto (25,1%) das moradias tem ao menos uma árvore no entorno e 20% ficam diante de esgoto a céu aberto. No outro extremo, Goiânia (GO) mostra a melhor infraestrutura e as melhores condições ambientais, com altas taxas de arborização e baixos índices de esgoto a céu aberto e lixo acumulado. / COLABORARAM WILLIAM GASPAR e RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

Esgoto passa na porta da casa de 18,6 milhões de brasileiros

RIO

Pelo menos 18,6 milhões de brasileiros - quase a população de Minas - vivem em áreas urbanas com esgoto a céu aberto nas portas de suas casas, mostra pesquisa do Censo 2010. As pessoas expostas ao esgoto equivalem a 12% da população pesquisada.
Do total de domicílios analisados, 11% ficam próximos a valas ou córregos que recebem esgoto. São 5,1 milhões de casas onde vivem principalmente pobres, crianças e negros ou pardos.
De todas as capitais, o cenário em Teresina é alarmante. Sete em cada dez domicílios, ou 71,8%, tinham esgoto a céu aberto. Entre as cidades com mais de 1 milhão de habitantes, Belém tem o maior índice: 44,5% dos domicílios. A média nacional elevada é causada pelos altos índices das Regiões Norte (32,9%) e Nordeste (26,3%), que contrastam com o Centro-Oeste (2,9%).
O esgoto atinge com mais intensidade os domicílios com crianças de zero a 9 anos - 15% vivem em casas com valões de esgoto. "A cidade não vai ser saudável se as comunidades carentes não forem", diz o sanitarista Alexandre Pessoa Dias, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Dois dos cinco filhos do pedreiro Ivanildo Santos, de 43 anos, estão doentes. Ontem, foram medicados em um posto de saúde do bairro Terra Firme, em Belém. Com febre e diarreia, a doença das crianças diagnosticada pelo médico é problema comum na vizinhança. "A gente está cansado de pedir a atenção do governo, mas ninguém quer saber do nosso sofrimento", diz Santos. O bairro, na bacia do igarapé do Tucunduba, tem acúmulo de lixo e 95% das casas não têm esgoto. / L.N.L. e CARLOS MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO

Só 4,7% têm rampa para cadeirantes

Apenas 4,7% dos domicílios urbanos brasileiros têm rampas para portadores de deficiência em suas quadras ou quarteirões. A proximidade de rampas foi constatada pelo Censo 2010 em 2,1 milhões de moradias, onde vivem 5,9 milhões de pessoas. No País, 13,2 milhões de pessoas têm dificuldade de locomoção.
Nenhuma cidade teve índice de 100% de moradias com rampas. A maior proporção é de Jaguaribara (CE), com 75,5% dos domicílios.
A presença das rampas foi um dos seis itens de circulação pesquisados. A iluminação tem a maior presença no entorno das casas e chega a 96,3% dos domicílios. Ruas pavimentadas abrangem 81,7% das casas. / L.N.L.

OESP, 27/05/2012, Metrópole, p. C4

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