Amazonas Em Tempo
Autor: Michele Gouvêa
16 de Abr de 2007
Quando a vida na aldeia se torna inviável ou as condições encontradas no local de origem já não mais satisfazem as necessidades crescentes pelo "novo", alguns indígenas migram para as cidades em busca de melhoria de vida e de outras oportunidades de desenvolvimento. Só que no processo de mudança outras dificuldades e limitações são encontradas pelos indígenas, como falta de infra-estrutura adequada, educação e saúde diferenciadas, além da preservação cultural de cada etnia.
Dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da União dos Povos Indígenas de Manaus (Upim) atestam que existem na capital amazonense 20 mil índios, de 33 etnias diferentes e distribuídos em 18 comunidades em vários pontos da cidade. Em todas elas dificuldades oriundas do choque de identidades do índio e do não-índio são observadas. A principal e mais difícil de ser combatida é o preconceito.
A partir da constatação de diferenças em seu modo de vida e da incerteza quanto aos valores repassados pelos parentes, alguns indígenas tendem a negar os princípios aprendidos durante o convívio em aldeia e colocam em risco a história de seu povo. Entre os motivadores para essa negação da identidade, conforme líderes do movimento indígena de Manaus, está a falta de comprometimento dos poderes públicos com a preservação de suas lendas, rituais e outros modos de manifestação cultural, social e religiosa.
Para minimizar os efeitos maléficos da transição da tribo para a área urbana, lideranças indígenas propuseram ao poder municipal que viabilize um conjunto de 23 propostas específicas aos povos que moram em Manaus. São consideradas questões urgentes: a contratação de professores indígenas, de Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e a disponibilização de um centro cultural ou espaço permanente para a comercialização de artesanato, comidas típicas e outras formas de manifestação cultural.
Segundo o presidente da Upim, Aldenor Moçambite, é indiscutível que quando os índios vêm morar na cidade estão propensos a todas as mazelas inerentes ao total da população. Mas ele ressalta que eles são submetidos a provações ainda maiores por estarem fora do local que lhes é comum e também por terem que buscar a todo momento formas de manter vivos seus valores ancestrais.
Dentre os principais embates travados com o objetivo de priorizar as necessidades indígenas, conforme Aldenor, está o desejo de que representantes escolhidos pelos próprios índios participem da Coordenadoria de Promoção dos Direitos Indígenas, ligada à Secretaria Municipal de Direitos Humanos (Semdih). Para Moçambite, cabe aos indígenas atestar as prioridades de cada comunidade. No entanto, ele ressalta que em todas elas há problemas como moradia inadequada, falta de saneamento básico e desemprego, entre outros.
"Desde que a coordenadoria foi criada não participamos de nenhuma reunião com os responsáveis pela implementação das políticas públicas específicas aos indígenas, e isso é indispensável para que conheçam nossas necessidades. Agora o vereador Marcelo Ramos (PCdoB) foi designado pelo prefeito para que cobre das secretarias responsáveis a viabilização de nossas reivindicações. Tudo parece estar se encaminhando, estamos sentindo vontade política", falou.
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