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Um morto em confrontos na Argentina entre polícia e comunidade indígena

Diário de Notícias dn.pt
26 de nov de 2017

Um homem morreu no sábado na sequência de confrontos no sul da Argentina entre a polícia e membros de uma comunidade mapuche numa região montanhosa a cerca de 30 quilómetros de Bariloche, na província de Rio Negro.

Segundo a agência estatal de notícias Télamos, durante os incidentes, que ocorreram num outeiro da localidade Villa Mascardi, vários membros de uma comunidade mapuche que, aparentemente, tinham escapado, na quinta-feira, de uma ação de despejo de um prédio que resultou em vários feridos, foram atingidos por disparos, supostamente de balas de borracha e de chumbo.

Um dos baleados acabou por morrer num hospital próximo.

"Informamos a partir da [comunidade de] Lof Lafken Winkul Mapu que hoje, sábado 25, a Polícia Federal disparou e feriu com balas de chumbo vários mapuche que desciam da montanha depois de terem sido perseguidos na mega operação de despejo de quinta-feira, 23", escreveu a Rede de Apoio Comunidades em Conflito -- MAP na rede social Facebook.

A ação de despejo, ordenada pela justiça, foi levada a cabo pela polícia numa zona supostamente ocupada por mapuches que pertence aos Parques Nacionais em Villa Mascardi.

No entanto, segundo a investigação, várias pessoas escaparam, pelo que, no sábado, agentes da Prefeitura Naval (força que opera sob a tutela do Ministério da Segurança) lançaram uma operação de busca. De acordo com a versão policial, nessa busca, os agentes foram atacados com pedras pelos mapuches que estavam em fuga, pelo que responderam com disparos de balas de borracha e de chumbo.

Os incidentes tiveram lugar no mesmo dia do velório de Santiago Maldonado, realizado quase quatro meses depois de o jovem ter sido visto com vida pela última vez num protesto mapuche, que foi reprimido pela polícia, também no sul da Argentina.

A autópsia determinou que Santiago Maldonado morreu afogado.

O caso de Santiago Maldonado, de 28 anos, tornou-se um assunto nacional na Argentina, sobretudo durante os quase 80 dias em que esteve desaparecido -- até o seu corpo ser encontrado a boiar num rio próximo do local onde ocorreu o protesto.

Milhares de argentinos protagonizaram manifestações nas ruas para exigir ao governo que encontrasse Santiago Maldonado, enquanto partidos políticos da oposição, jogadores de futebol e outras celebridades se juntaram a uma campanha nas redes sociais sob o 'slogan': "Onde está Santiago Maldonado?"

O desaparecimento do jovem tocou um ponto nevrálgico na Argentina, onde grupos de defesa dos direitos humanos estimam em cerca de 30 mil o número de mortos ou desaparecimentos forçados durante a ditadura militar no país (1976-1983).

https://www.dn.pt/lusa/interior/um-morto-em-confrontos-na-argentina-ent…

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