VOLTAR

Um liquidante suspeito

Jornal do Brasil (Rio de Janeiro-RJ)
29 de Jan de 2003

Sant'Clair Versiani está sendo investigado pela PF por denúncias de desvio de verba da Funai

A liquidação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) - órgão que abrigou uma quadrilha de fraudadores responsável pelo desvio de mais de R$ 2 bilhões dos cofres públicos - vem sendo conduzida, há seis meses, por um dos principais envolvidos em denúncia de desvio de dinheiro na Fundação Nacional do Índio (Funai).

A nomeação do ex-chefe do Departamento de Planejamento da Funai, Sant'Clair Pitangui Versiani, como liquidante da Sudam, feita durante a campanha eleitoral, aparentemente passou despercebida pelo crivo do Palácio do Planalto.

Vesiani é apontado em duas sindicâncias internas da Funai e em investigação da Polícia Federal (PF) como um dos envolvidos em denúncia de fraudes com convênios de repasse de recursos do órgão. Os dois processos administrativos em andamento na Funai também apontaram irregularidades.

Os convênios considerados irregulares pela comissão de sindicância foram firmados pela Funai em dezembro de 1998. Um deles foi assinado com a Fundação Teotônio Vilela, de Alagoas, e outro, com a Fundação de Apoio à Universidade do Rio de Janeiro, a Pro-Uni-Rio.

Versiani foi designado para liquidar a Sudam pelo ex-ministro da Integração Nacional Luciano Barbosa. Este, por sua vez, havia sido apadrinhado pelos senadores Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL) - presidente da Fundação que leva o nome de seu pai e que esteve envolvida em desvios de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) - e Renan Calheiros (PMDB-AL) - ministro da Justiça quando os convênios foram celebrados e braço direito do ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA), um dos principais envolvidos nos desvios da Sudam.

Além de custear a terceirização não autorizada para outras empresas, os convênios celebrados pela Funai pagaram até contas de jardineiros, quando o objeto dos contratos era a modernização da área de informática. A Funai conseguiu suspender os pagamentos dos convênios. Mesmo assim, restou prejuízo de R$ 340 mil.

As sindicâncias concluíram que os convênios foram ''irregulares'' e eram ''provavelmente a fórmula encontrada para desvio de dinheiro público''. A comissão solicitou instauração de inquérito policial na PF e a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de autoridades, inclusive de Sant'Clair Pitangui Versiani e do ex-presidente da Funai, Sullivan Silvestre, morto em 1999

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.