VOLTAR

Um em cada quatro brasileiros está no Bolsa-Família

OESP, Nacional, p. A8
22 de Ago de 2007

Um em cada quatro brasileiros está no Bolsa-Família
São 45,8 milhões de beneficiados, sendo a maior parte concentrada no Nordeste e, especificamente, no Ceará

Lisandra Paraguassú

O último levantamento do perfil da população atendida pelo programa Bolsa-Família, do governo federal, revela que o total de beneficiados chega a 45,8 milhões de pessoas. Como o País tem hoje cerca de 190 milhões de habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso significa que praticamente um em cada quatro brasileiros recebe auxílio do Bolsa-Família.

São 11,1 milhões de famílias atendidas desde junho de 2006. Boa parte é de crianças - entre zero e 15 anos, são 18,6 milhões de beneficiados. O Nordeste, região mais pobre do País, e segunda mais populosa, concentra a maior parte das pessoas atendidas: 22,6 milhões. O Ceará tem o maior número de beneficiários, 5,8 milhões, seguido de Minas Gerais, no Sudeste, com 4,8 milhões de pessoas.

Mesmo tendo grande penetração no meio rural, o programa concentra os benefícios nas áreas urbanas (69%) - e as mulheres, num total de 24,3 milhões, são a maioria dos assistidos pelo programa. Elas também chefiam a maioria das famílias, o que as torna, em 90% dos casos, recebedoras legais do benefício. A estatística, no entanto, é reflexo de uma decisão de governo: mesmo em casas onde as mulheres são casadas ou têm companheiro, é para elas que o pagamento é feito.

Hoje, o Bolsa-Família tem um orçamento de R$ 8,7 bilhões por ano para atender a 11,1 milhões de famílias. Mas o investimento deve aumentar em R$ 400 milhões este ano e subir para cerca de R$ 10 bilhões em 2008, depois que for aprovado o reajuste de 18,75% nos benefícios. A média atual por família, de R$ 62 por mês, passará a R$ 72 com o reajuste. Entre setembro de 2005 e março deste ano, o programa cresceu 48,7% em número de beneficiários - de 30,8 milhões para quase 46 milhões. O volume de famílias passou de 7,63 milhões para 11 milhões em março deste ano, uma evolução de 44%. As famílias com direito ao benefício não podem ter renda superior a R$ 120 por mês e fazem jus a uma bolsa que varia de R$ 18 a R$ 112.

Dos beneficiados, 63,6% não têm esgoto tratado

Brasília

A maioria das 11,1 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa-Família vive em casas de alvenaria, tem energia elétrica e uma renda mínima garantida. Mas a qualidade de vida continua imersa em um ambiente de pobreza. Boa parte mora em habitações sem água tratada, esgoto ou recolhimento de lixo. Entre os chefes dessas famílias, há pouco emprego e menos ainda escolaridade.

O Perfil das Famílias Beneficiárias do Bolsa-Família, divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Social, mostra que o Estado conseguiu levar dinheiro aos mais pobres, mas não a infra-estrutura social. A maior parte das famílias do programa mora em zonas urbanas, mesmo que de municípios quase rurais. Boa parte, 61,7%, tem casa própria e a maioria, casas de alvenaria. Os barracos de papelão e madeirite aparecem em apenas 1% dos casos e as casas de taipa, em menos de 10%. A luz alcança quase 90% das residências - mesmo que, em alguns casos, de forma irregular, os "gatos".

Esgoto, água tratada e coleta de lixo estão longe dessas casas. Um quarto dessas famílias bebe água sem nenhum tratamento, enquanto outros 38% apenas a filtram. A situação sanitária é ainda pior: 63,6% não têm redes de esgoto tratado. A maioria (26,7%) usa fossas rudimentares e outros 18% ainda convivem com esgotos a céu aberto. Apesar de a maioria das famílias ter recolhimento de lixo, já que vivem em zonas urbanas, 20,5% ainda têm que queimá-lo, e 10,7% o deixam a céu aberto.

"Já é um dado que temos deficiência em saneamento e precisamos de um investimento grande nessa área", afirmou Rosani Cunha, secretária de Renda e Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social. "E, se há um problema nessa área, é claro que está concentrado nos mais pobres. É um diagnóstico que tínhamos feito."

Se a renda básica dessas famílias está garantida com a bolsa, o futuro está longe de ser promissor. A metade dos responsáveis pelos grupos familiares não tem nenhuma ocupação fixa. Vive de trabalhos temporários. Apenas 2,8% têm emprego com carteira assinada e 0,1% dos que se dizem autônomos contribui para a Previdência Social.

A situação de escolaridade também não contribui: 60% dos chefes de família são analfabetos ou têm só a 4ª série do ensino fundamental completa.

OESP, 22/08/207, Nacional, p. A8

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.