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Um dos museus de arte indígena mais completos do Brasil fica em Curitiba

Gazeta do Povo guia.gazetadopovo.com.br
Autor: Laura Beal Bordin
24 de nov de 2017

Comemorando um ano em Curitiba, o Museu de Arte Indígena (MAI) tem muito sucesso para celebrar. Sem receber dinheiro público (já que é privado desde sua inauguração), o objetivo do local é o de mostrar a qualidade dos produtos feitos pelos indígenas. "A palavra artesanato é proibida aqui. Aqui se produz arte", diz Julianna Podolan Martins, presidente do museu.

A responsável pela coleção que hoje já ultrapassa mais de mil itens é a própria Julianna. Seu interesse pelo povo indígena começou numa viagem ao Mato Grosso do Sul, quando, a convite de uma amiga, visitou uma aldeia. Foi quando ela comprou um vaso de cerâmica e não parou mais. Foi acumulando peças, estudando e pesquisando o significado de todas elas.

"Para os índios tudo tem um significado, se é feito em determinada lua, com determinado barro, em determinado tempo. E tudo isso precisa ser estudado", explica. Há 20 anos Julianna viaja o Brasil estudando os hábitos dos povos indígenas e conta ter perdido as contas de quantos lugares já visitou.

Museu

Hoje o museu conta com arte plumária, com uma dezena de belos e coloridos cocares. "Os indígenas brasileiros são reconhecidos internacionalmente pela técnica de emplumação", conta.

No local, o visitante ainda encontra a arte cerâmica, máscaras usadas em rituais, cestarias e outros objetos e adornos utilizados no dia-a-dia dos indígenas. Um dos destaques do local é uma canoa de sete metros, trazida de uma ilha considerada sagrada no Xingu.

Transformação

Com foco escolar, Julianna diz que não é difícil ouvir das crianças: "é assim que eles viviam?". "Nós precisamos desconstruir essa ideia de que os índios não existem mais. Nas minhas viagens, eu encontro dezenas de pesquisadores estrangeiros, nunca um brasileiro. Precisamos refletir sobre as nossas origens", provoca.

A transformação acontece também nas aldeias indígenas, conta Julianna. Muitos que já haviam perdido a tradição em desenvolver a arte de sua tribo acabavam desenvolvendo apenas peças para turistas. "Eles me mandavam fotos e eu dizia que não era aquilo que eu queria. E eles voltavam para a vó para reaprender como a arte era feita e isso não tem preço", diz.

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