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Um batalhão na floresta

JB, Cidade, p. A15
20 de Ago de 2005

Um batalhão na floresta
Deputados aprovam criação de unidade da PM com 300 homens no Parque Nacional da Tijuca

MARIANA FILGUEIRAS

A insegurança que preocupa freqüentadores e turistas nos arredores da Floresta da Tijuca pode estar com os dias contados. Foi aprovado na quinta-feira, em primeira discussão, o projeto de lei do deputado estadual André do PV, que determina a instalação de um Batalhão de Policiamento Florestal e Meio Ambiente (BPFMA) no Parque Nacional da Tijuca.
A unidade seria composta de 300 policiais treinados para impedir o desmatamento, a ocupação irregular das encostas e a caça predatória na floresta. O deputado estadual acredita que a presença do batalhão também poderia coibir a utilização da mata como cemitério clandestino e como rota do tráfico.
De acordo com informações da Cordenadoria de Inteligência da Polícia Civil (Cinpol), traficantes usam a mata para se esconder durante ocupações policiais, principalmente na Favela da Rocinha. Usando roupas camufladas, os bandidos acampam próximo ao Rio da Rainha e usam bússolas e mapas para não se perderem nas trilhas.
- Recebemos muitas reclamações de moradores preocupados com a falta de segurança. A idéia do batalhão resolveria os problemas do parque - defendeu o deputado.
O único batalhão florestal do estado fica no bairro do Colubandê, em São Gonçalo. Os 258 homens da unidade são responsáveis pela segurança dos parques daquele município, de Niterói e do Rio de Janeiro.
- As comunidades que ficam ao redor da floresta também serão beneficiadas pela presença de maior efetivo policial. O projeto é a única forma de pressionar o Executivo para prestar atenção nas necessidades da população - completou André.
O economista Felipe Machado, 44 anos, mora na Tijuca desde que nasceu e caminha diariamente no parque. De acordo com ele, a idéia de criar um batalhão no bairro é um pedido antigo dos moradores.
- Adoro a floresta, mas não há segurança atualmente. Eu nunca sofri violência aqui, mas conheço muitas histórias de assaltos - contou Felipe.
Vizinho de Felipe, o médico Sérgio Moreira, 42 anos, lembrou que a presença da polícia pode evitar uma prática constante de criminosos do local: fechar a estrada para praticar assaltos.
- Aqui vem muito turista, não pode ficar sem policiamento, como está - atestou Sérgio.
Para não correr riscos com os visitantes que leva para passeios na região, a guia Lady Rangel, 47 anos, evita pontos turísticos como a Vista Chinesa. Segundo Lady, durante a semana só uma viatura faz a ronda na Estrada da Vista Chinesa. Como informou o JB em reportagem do dia 7 de agosto, motoristas de táxi estão se recusando a levar turistas para a Vista Chinesa e o Mirante das Paineiras, com medo da violência.
Um dos locais cogitados para se tornar a sede do batalhão é o Colégio Sagrado Coração de Jesus, em frente ao batalhão do Corpo de Bombeiros do Alto da Boa Vista, hoje desativado. O projeto será votado em 10 dias, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Só depois receberá o veto ou a sanção da governadora Rosinha Matheus.

JB, 20/08/2005, Cidade, p. A15

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