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Autor: Célia Silva
14 de Out de 2008
Esse será o último vestibular a ser realizado pela Universidade Federal de Sergipe em que estudantes de escolas públicas e particulares concorrem em situação de igualdade. A partir do vestibular 2009, com ingresso em 2010, metade das vagas de cada curso e turno será destinada a alunos oriundos da rede pública de ensino. O Programa de Ações Afirmativas da UFS foi aprovado ontem por 21 votos contra quatro em reunião do conselho. A decisão é considerada histórica pela comunidade acadêmica.
O reitor da UFS, Josué Modesto Passos Subrinho, explicou que a adoção do programa não será possível para este vestibular (2008) porque ele já está em curso. Mas, no ano que vem, 50% das vagas serão para os estudantes vindos de escolas públicas. O programa determina ainda que desses 50% 70% sejam destinados àqueles alunos, vindos de escolas públicas e que se auto-declararem afro-brasileiros e índios. Tem ainda uma vaga por curso e turno para estudantes portadores de necessidades especiais.
Para entender melhor: o curso de Medicina, por exemplo, oferece 100 vagas. Dessas, 50 serão destinadas a estudantes de escolas públicas e entre essas 50, 70% deverão ser preenchidas por alunos que se auto-declararem afro-brasileiros ou índios. Já as demais vagas (50) serão disputadas por alunos da rede particular de ensino. A regra vale apenas para aqueles que tenham estudado os quatro anos do ensino fundamental e o ensino médio na rede pública.
Oportunidades
Para o reitor da UFS, o conselho escolheu a melhor opção para a UFS. "Já vínhamos oferecendo medidas de inclusão que culminaram com uma política mais significativa", disse. O pró-reitor de Assuntos Estudantis, Arivaldo Montalvão, destacou que a universidade já vem há alguns anos se preocupando com o assunto e que criar políticas de cotas sociais e étnico-raciais é dar oportunidade a setores da população excluídos historicamente do acesso a determinados bens sociais.
O presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFS, Natan Alves dos Santos, também comemorou a decisão. "É um fato histórico, onde a universidade começa a repensar seu papel como um todo", falou. Para a representante do movimento negro Quilombola, estudante do curso de Ciências Sociais da UFS, Lumara Martins, a decisão agrada, pois aglutina os movimentos sociais em torno de uma mesma questão. "Essa proposta aprovada é o resultado de pesquisas feitas com base em outras universidades que já implantaram o sistema e em estudos locais", destacou o vice-presidente do DCE, Magson Melo Santos.
Histórico
Segundo o pró-reitor de as suntos estudantis, as primeiras universidades brasileiras que implementaram o sistema de cotas em seus vestibulares foram as universidades estaduais do Rio de Janeiro, a Norte Fluminense e a Estadual da Bahia. Já a primeira instituição federal a adotar o sistema de cotas foi a Universidade de Brasília (UnB), em 2003. Atualmente, existem mais de 60 instituições de ensino superior públicas que adotam o sistema.
A Universidade Federal criou em outubro do ano passado o Programa de Ações Afirmativas composta por representantes dos centros acadêmicos, da Associação dos Docentes da UFS (Adufs), do Sindicato dos Trabalhadores da UFS (Sintufs) e do DCE. O objetivo era estudar o sistema de cotas para implementar na universidade. A coordenação ficou por conta do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros. Nesse intervalo, a comissão que integrou o programa analisou experiências de outros Estados, o projeto de lei do governo federal 3.267/04, que trata do assunto, e adaptou para as necessidades locais.
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