Brasil Norte-Boa Vista-RR
11 de Jan de 2005
O Núcleo Insikiran de Formação Superior Indígena da Universidade Federal de Roraima (UFRR) realizou ontem, no campus do Paricarana, em Boa Vista (RR), a aula inaugural do curso de licenciatura intercultural. O evento teve o objetivo de receber os 120 professores indígenas selecionados no vestibular de 2004 e os 60 professores que iniciam um novo módulo.
Dos 120 professores indígenas selecionados, 60 fazem o primeiro módulo do curso, entre os dias 10 de janeiro e 4 de março. Os demais ingressam na universidade somente em julho. Com o ingresso destes 120 novos professores, a UFRR soma 180 alunos na licenciatura intercultural. A meta, explica o coordenador do Núcleo Insikiran, Maxim Repetto, é formar 700 professores indígenas no estado.
Conteúdos
As aulas de licenciatura intercultural na UFRR ocorrem nos períodos de férias escolares nas aldeias indígenas, porque os professores fazem sua formação em serviço. Por isso, os professores que passaram no vestibular em 2004 e os veteranos iniciam hoje o ano letivo. A matriz fundamentos legais da educação escolar indígena será comum para as duas turmas no período de 10 de janeiro a 04 de fevereiro. De 10 de fevereiro a 04 de março, os veteranos estudarão os sistemas de ensino e gestão escolar e os novatos, diversidade de linguagem e políticas lingüísticas. Os trabalhos destes dois blocos serão concluídos em março com a realização do 5o Seminário de Formação Superior Indígena, que tem como tema A Prática Escolar e a Transmissão de Conhecimentos.(Brasil Norte, 11.01.05)
Censo Indígena será iniciado até abril
Depois da determinação do Ministério da Justiça, a Fundação Nacional do Índio (Funai) quer iniciar até abril mais um Censo Indígena. Outra versão foi feita em 2003.
O objetivo é colher informações gerais sobre essa população, além de obter o número exato existente em Roraima. A previsão é que o levantamento dure até 90 dias.
A ação contará com a participação e execução direta do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que terá a contrapartida de pessoal. Ao todo, os 21 postos indígenas serão licenciados. O valor do Censo será de R$ 492.504,78.
"Estamos aguardando a primeira quinzena de fevereiro para definir todos os acertos", disse o administrador da Funai, Gonçalo Teixeira dos Santos, ao ressaltar que esse é o mesmo período em que o Governo Federal libera as verbas destinadas aos projetos dos órgãos federais. No último Censo realizado pela Funai e IBGE, foram somados 41.735 índios em todo o Estado de Roraima (veja quadro abaixo). "Queremos saber quantos são e como vivem esses índios para que a Funai possa elaborar políticas públicas que atendam às necessidades desses povos", disse Teixeira.
Dificuldades
Conforme ele, há uma série de dificuldades em torno da realização do Censo Indígena. Uma delas é de acesso.
Teixeira disse que pretende iniciar o cadastro antes do inverno por causa da distância e caminho para as reservas Yanomami, por exemplo. "Nessas regiões, o acesso é mais difícil, e contamos apenas com helicóptero", disse, ao afirmar que no inverno fica inviável a chegada a esses pontos. "Tem casos que não há nem pista de pouso", afirmou. Ele disse que todos os servidores que atuam nos 21 postos indígenas serão incluídos no processo de apuração de dados. Ao todo, cada ponto conta com até três funcionários da Funai. "Assim, saberemos quantos índios por etnia há em suas respectivas terras, uma vez que tem áreas que têm até três etnias", frisou Teixeira.
Contratação temporária
Com a realização de mais um Censo Indígena, estima-se que o IBGE irá contratar pessoal para um quadro temporário. Ainda não há informações precisas sobre esse assunto, uma vez que o projeto está em andamento e a Funai ainda não acertou os detalhes direto com o IBGE. Procurado pela reportagem do BN, o chefe do IBGE, Vicente de Paula, disse por telefone que falta finalizar os acordos para a realização do Censo Indígena. "Ainda não temos informações exatas sobre esse estudo", disse. (L.F.
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