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Uerj acelera controle de erosão de praias

OESP, Vida, p. A18
23 de mai de 2007

Uerj acelera controle de erosão de praias
Software prevê efeitos do fenômeno e testa soluções

Fabiana Cimieri

Após dez anos de pesquisa, o Grupo de Oceanografia Geológica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) desenvolveu uma nova metodologia que, com a ajuda de um software próprio, analisa e prevê a erosão em praias do litoral em apenas seis meses - enquanto o método clássico precisa de cinco anos para gerar um diagnóstico.

Os pesquisadores do projeto Erocosta mediram indicadores tradicionais - como altura, direção das ondas, direção e velocidade das correntes marítimas, marés e condições meteorológicas - numa freqüência muito maior. "Medições de hora em hora e com vários módulos (de medição) instalados nas praias permitiram o desenvolvimento de um software que gera o modelo do que irá acontecer numa determinada praia se o nível do mar ou das ondas subir um metro, por exemplo", explica o coordenador do projeto, Marcelo Sperle.

SEM BARREIRAS

Segundo Sperle, o projeto permitiu visualizar claramente como o fim do equilíbrio dinâmico das praias - em que perdem e ganham sedimentos com a mesma intensidade - faz o processo erosivo progredir geometricamente. "A força das ondas aumenta e derruba árvores. A vegetação é que protege o solo da erosão. Quando ela é atingida, as ondas ficam ainda mais fortes, porque não têm nada que as amorteça", disse.

A equipe ficou surpresa ao constatar o aumento da erosão mesmo em praias em que não há intervenção humana, como em Lopes Mendes, em Ilha Grande, no sul fluminense, onde o avanço no nível do mar está derrubando árvores ou expondo suas raízes.

Segundo Sperle, além de fazer o diagnóstico, o grupo acumulou conhecimentos técnicos a fim de sugerir alternativas viáveis para minimizar o problema. Entre as sugestões propostas, uma das que têm melhor custo-benefício é a instalação de um quebra-mar submerso. Por sugestão do grupo, essa alternativa foi utilizada com sucesso no Pontal do Atafona, onde deságua o Rio Paraíba do Sul, no litoral norte do Rio.

O trabalho começou quando a Uerj recebeu a cessão por 50 anos da área onde existiu o presídio de Ilha Grande, na praia de Dois Rios. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) investiram US$ 2 milhões na iniciativa.

Os oceanógrafos selecionaram sete praias, das mais de cem que existem em Ilha Grande, para serem monitoradas intensivamente: Preta, Abraão, Lopes Mendes, Dois Rios, Leste, Sul e Araçatiba. Outras seis praias da capital fluminense também tiveram medições freqüentes: Grumari, Barra da Tijuca, Macumba, Copacabana, Ipanema e Leblon.

O projeto Erocosta está integrado a duas redes de pesquisa, das quais fazem parte 30 instituições de todo o País.

OESP, 23/05/2007, Vida, p. A18

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