Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Francisco Esperidião
29 de Jan de 2004
Tuxauas das comunidades Kato Village, Kurukabaru e Paramakutoi, todas localizadas em território guianense, escreveram cartas de apoio à pretensão das comunidades alinhadas à Sodiur, Arikon e Alidcir. Eles defendem a homologação da terra indígena Raposa Serra/do Sol em ilhas, preservando as sedes dos municípios, vilas, estradas e propriedades produtivas.
A carta escrita em inglês datada de 22 de janeiro e assinada pelo tuxaua Rudolph Marcello, da comunidade Kurukabaru, acusa textualmente que "uma ou duas" pessoas ligadas ao CIR (Conselho Indígena de Roraima) apareceram naquelas comunidades, sem o consentimento das lideranças locais.
Nessa ocasião, de forma fraudulenta, os visitantes anotaram os nomes dos parentes, como se todos estivessem apoiando a homologação de Raposa/Serra do Sol em área única, como querem os parentes de Maturuca e outras comunidades subordinadas ao CIR, "which is totaly wrong" (o que é totalmente errado).
Dificuldades - A vida daquelas comunidades indígenas, de etnia macuxi, não pode ser considerada das mais fáceis. Os cerca de 700 índios que habitam a comunidade de Kato Village, por exemplo, precisam andar dois dias a pé até a vila brasileira de Mutum para se abastecer do básico, uma vez que os núcleos urbanos guianenses ficam a distâncias bem superiores.
Por conta dessa dificuldade, apesar de localizadas na Guiana, as comunidades têm na Vila de Mutum seu principal apoio logístico. É lá que elas se abastecem de sabão, óleo, sal, pilhas, gasolina para motor e gêneros alimentícios em geral. Segundo os tuxauas, a retirada da Vila de Mutum deixará aquelas comunidades em situação difícil.
A carta, assinada pelo tuxaua Maxuel Andrews, de Paramakutoi, diz quase a mesma coisa que a de seu colega Rudolph Marcello, da comunidade Kurukabaru, onde vivem 1.200/1.300 índios e a assinada pelo conselheiro (espécie de vereador) Nirgil Wilson, da comunidade de Paramakutoi.
Apoio - A carta escrita e assinada pelo tuxaua Lourenço Abrão, da comunidade Santa Maria do Mutum, Município de Uiramutã, onde vivem cerca de 150 índios brasileiros, ressalta a mesma preocupação com relação ao abastecimento básico.
"Apoiamos o pessoal da associação Sodiur e Governo do Estado e não o povo do CIR", diz claramente a carta de Lourenço Abraão, a única escrita em português e entregue a líderes da Vila de Mutum, na semana passada.
"Eles (integrantes do CIR, que exigem a retirada dos não-índios da região) não estão fazendo bem para nós aqui na fronteira. Está muito complicado". Os índios enfatizam também que não é bom que haja intriga entre parentes ligados à Sodiur, Arikon, CIR e Funai. "Nós não devemos brigar por causa da nossa terra", concilia.
Sem conhecimento - O assessor de comunicação do Conselho Indígena de Roraima, André Vasconcelos, disse ontem que o presidente da ONG, Jacir José de Souza, não tem conhecimento de qualquer funcionário do CIR que tenha visitado comunidades indígenas na Guiana. "Nosso trabalho se restringe ao território brasileiro".
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