Brasil Norte-Boa Vista-RR
Autor: LEANDRO FREITAS
04 de Mar de 2005
Os índios reclamam da decisão e denunciam que os parentes que não são ligados ao Conselho Indígena de Roraima serão prejudicados
A decisão de transferir a saúde indígena do Distrito Sanitário Leste para os cuidados do CIR (Conselho Indígena de Roraima) causou revolta em parte dos índios que vivem nessa região. A medida foi tomada pelo Conselho Distrital (que é composto por 14 índios e 14 não índios) em reunião que perdurou todo o dia de ontem na Casa de Cura.
Atualmente a saúde indígena está sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Pacaraima, que mantém convênio com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Nesse acordo, a Prefeitura cede os profissionais e logística utilizada no processo. A proposta de mudança foi apresentada e aprovada ontem mesmo.
Com a medida, o Hospital São Camilo, que fica no Surumu, irá atender a toda a demanda, seja ela de indígena ou não indígena. Para o tuxaua da etnia Macuxi e vereador Genivaldo Costa da Silva, essa mudança irá prejudicar os índios que não têm ligação direta com o CIR, uma vez que não terão acesso aos atendimentos médicos. "Isso não passa de uma questão de política, pelo prefeito de Pacaraima ser um arrozeiro", atacou.
Ele disse que o CIR deve se preocupar mais com a saúde pública dos índios e não com a política. "O CIR está matando indiretamente as crianças. Os casos de malária aumentaram e nada vem sendo feito. Agora com essa mudança, vai atender somente aos índios ligados a ele (CIR)", afirmou Genivaldo, ao denunciar que o órgão se preocupa mais com a questão do transporte. "O CIR quer comprar mais veículos, ao invés de atender os índios".
Abaixo-Assinado
Para repudiar a decisão do Conselho, índios de 18 comunidades vão assinar um abaixo-assinado. Ao todo, serão aproximadamente sete mil assinaturas. Só na maloca do Contão, serão mil. Essa é a maior maloca localizada no município de Pacaraima.
"Não fomos consultados dessa decisão. O documento que decidiu a mudança foi assinado por outras lideranças, não as nossas", disse Genivaldo. Ele tem medo de não ter a garantia de atendimento médico. "Isso vai gerar mais polêmica. Os índios que são contra o CIR não terão atendimento médico", afirmou.
Ele denunciou que a maioria dos benefícios da saúde é direcionada atualmente para os povos ligados ao CIR, como as comunidades do Canta Galo é o Pólo-Base, ao invés do Contão que já tem toda estrutura, inclusive um mini-hospital.
As assinaturas e documentos elaborados serão encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério da Saúde (MS). Além disso, eles vão realizar um protesto na comunidade de Makunaima, na reserva indígena de São Marcos, durante uma reunião. A data ainda não foi divulgada.
O Convênio
O convênio entre a Prefeitura de Pacaraima e Funasa está em vigor, segundo Genivaldo, há pouco mais de oito anos. Atende aos índios com médicos clínicos, odontológos, auxiliares de enfermagem, entre outros profissionais da saúde. O montante investido é de cerca de R$ 8 milhões.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.