O Globo, Amanhã, p. 28
07 de Mai de 2013
Turistas são esperança para salvar boto da Amazônia
O maior golfinho de água doce do mundo é morto para virar isca. Projeto promete fazer preservação da espécie mais rentável para pescadores do que a captura
CLÁUDIO MOTTA
claudio.motta@oglobo.com.br
Durante a noite amazônica, o boto-cor-de-rosa se transforma num homem sedutor capaz de conquistar qualquer mulher. Assim reza a mais famosa das muitas lendas que cercam o animal, também conhecido como boto-vermelho. Esse lado fantástico é apontado por pesquisadores como uma das principais razões do secular respeito que suscitava nos pescadores. Hoje, porém, a história é outra. O boto passou a ter a carne usada para servir de isca na pesca da piracatinga, peixe valorizado na Colômbia e no Japão. Relatos sobre matanças do maior golfinho de água doce do mundo já não são raros. Especialistas estimam que sua população esteja diminuindo cerca 10% ao ano.
Para enfrentar o problema, o projeto Ecoturismo Amigo do Boto Vermelho, da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa), quer mostrar que preservar esse mamífero também pode trazer recursos para a população ribeirinha. Nas águas do Rio Negro será erguido um centro de visitação flutuante. A meta é triplicar o número de turistas, que encontrarão melhores serviços e instalações. Atualmente, com uma capacidade para receber 30 pessoas por dia, os ingressos variam entre R$ 20 e R$ 40. Com a nova estrutura, a capacidade chegará a 90 visitantes, e os pacotes passarão a custar entre R$ 20 e R$ 100. O resultado esperado é o efetivo aumento de renda da Comunidade São Thomé.
- Ordenado, o turismo servirá como fonte de renda, aumentará o conhecimento das pessoas e, assim, reduzirá a matança dos animais - espera a bióloga Vera da Silva, coordenadora do projeto Ecoturismo amigo do Boto Vermelho da Amazônia. - Tanto a caça quanto o turismo desordenado são prejudiciais ao boto. Já há registros de rios nos quais ele já não aparece mais.
Além de promover o turismo sustentável, difundindo a ideia de que o boto precisa ser preservado, o projeto vai trabalhar com a chamada bototerapia. Crianças portadoras de necessidades especiais, levadas por especialistas, poderão interagir na água com os animais. O boto é um animal extremamente curioso, que costuma se aproximar muito de pessoas e embarcações. Na Amazônia existem duas espécies de água doce de golfinho.
- Os botos têm a habilidade de segurar objetos que flutuam na água e gostam de brincar. Pegam o remo e a quilha das canoas. Esse comportamento ajudou a criar lendas, como a que diz que os botos tentam arrastar pescadores para o fundo do rio - diz Vera.
O desenvolvimento do ecoturismo na Amazônia é um dos 24 projetos apoiados pelo programa Oi Novos Brasis em 16 estados. Entre os critérios de seleção, a promoção da sustentabilidade nas suas três dimensões, pois cada iniciativa precisa promover melhoria social, econômica e ambiental. O prazo das parcerias chega a 24 meses.
O Globo, 07/05/2013, Amanhã, p. 28
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