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Tubarão: Em busca de oportunidades, guaranis vendem artesanato e preservam cultura indígena

Notisul - https://notisul.com.br/
Autor: Mirna Graciela
29 de jul de 2019

"Vivemos há tempos assim, já passamos por muitos lugares. Precisamos nos envolver muito para dar condições financeiras melhores às nossas famílias e proteger nossas mulheres", enfatiza João Tupã, que vê a cidade como um local acolhedor e promissor para a venda dos produtos.

Publicado em 29/07/2019 12h13

Quem trafega pela BR-101 em Tubarão, pode perceber, desde a última segunda-feira (22), a presença de um grupo de índios acampados embaixo de um dos viadutos. São índios guaranis e kainguangs que chegaram à Cidade Azul, em um total de seis famílias - oito adultos e quatro crianças.

Todos vieram de Nova Laranjeiras (PR), onde existe a terra indígena Rio das Cobras, habitada por mais de três mil indígenas em 11 aldeias. Segundo João Tupã Pires de Lima, 48 anos, o líder do grupo, não há previsão de data para irem embora. "Vamos ficar aqui, temos que vender nossos produtos artesanais. Precisamos juntar o suficiente para quando voltarmos a nossa aldeia honrarmos nossos compromissos financeiros. Tudo compramos lá e temos um prazo para pagar", conta João Tupã.

Os artesanatos são confeccionados pelas mulheres, que também saem para vendê-los. Porém, essa rotina é algo comum para os indígenas. Eles vão em buscas de novos lugares onde possam garantir sua subsistência, já que onde moram não há muitas oportunidades em função da mesma atividade praticada por muitos índios. E depois retornam para seu local de origem.

"Desde a década de 90 que vivemos assim. Já passamos por muitos lugares. Um dos últimos foi em Curitiba. Lá também ficamos embaixo de um viaduto, depois o pessoal dos Direitos Humanos conseguiu nos instalar em uma Casa de Abrigo", destaca.

Para o líder, os costumes são bem diferentes, mas estão acostumados a viver dessa forma. "Temos que nos envolver muito para dar condições financeiras melhores às nossas famílias e proteger nossas mulheres", enfatiza João Tupã.

Quem quiser colaborar

As famílias ficam o dia inteiro na venda dos artesanatos, mas toda ajuda é muito bem-vinda. Eles chegaram com o mínimo de bagagem e contam com a solidariedade das pessoas.

Quem quiser pode colaborar com roupas de adulto e de crianças, agasalhos, cobertores e alimentos. Utensílios domésticos também podem ser doados, como panelas, entre outros. As pessoas que desejarem doar, podem ir até o local onde estão acampados diariamente, a partir das 18 horas.

Um apaixonado pela música

João Tupã Pires de Lima é um apaixonado pela música e domina alguns instrumentos. Conforme ele, se alguém ou uma igreja tiver uma sanfona ou um teclado que possa doar, o índio fará bom proveito. "Isso me daria a chance de ganhar mais um dinheirinho, pois poderei mostrar minha aptidão musical em locais públicos", explica.

Segurança

O líder, muito preocupado e administrando o grupo com zelo e preocupação, faz um pedido aos órgãos de segurança da cidade, solicitando rondas. "Pedimos que passem aqui de vez em quando para nos sentirmos mais seguros com nossas famílias".

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