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Tribos de MS cobram verba do Fome Zero

Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: JOÃO NAVES DE OLIVEIRA
18 de Set de 2003

Em protesto contra demora na ajuda da União, índios fizeram uma marcha em Dourados

Mais de mil índios guarani-kaiowás das Aldeias Bororó, Jaguapiru e Tey Kuê, localizadas na região sul de Mato Grosso do Sul, realizaram ontem em Dourados um protesto que durou sete horas. Segundo o chefe da Fundação Nacional do Índios (Funai), Jonas Rosa, os manifestantes representam pelo menos 10 mil índios que estariam cansados de esperar os recursos do programa Fome Zero do governo federal. "O dinheiro já está com o governo do Estado. Não sabemos por que ainda não foi liberado para as tribos", disse Jonas.

"Ainda estamos na fase das concorrências para execução dessa benfeitorias. O dinheiro do convênio começou a chegar na semana passada e tenho certeza de que a partir do dia 15 de outubro estaremos trabalhando nessas aldeias", explicou a secretária de Ação Social, Cidadania e Economia do Trabalho, Heloísa Castro Berro. A parceria com o Fome Zero, acertada em julho, visa a oferecer infra-estrutura às três aldeias para o cultivo de cereais, frutas, verduras e legumes. Estão previstos ainda programas de educação, cultura, cidadania, assistência social e saúde.

Segundo ela, o programa de Segurança Alimentar do Estado já fornece cestas básicas para 11.300 famílias indígenas em Mato Grosso do Sul.

Privilégios - O protesto começou às 7 horas na rodovia MS-156, a 6 quilômetros do centro de Dourados, de onde os índios saíram marchando até a prefeitura municipal. Lá, entregaram documentos com reivindicações. Na sede da Funai, eles pediram providências contra "privilégios" de alguns caciques. "São poucos com muita terra e a maioria com pouca ou nenhuma área", reclamam.

Com faixas e cartazes, eles alertaram sobre o aumento do número de índios sem-terra que estão montando acampamentos precários no sul do Estado, principalmente entre Dourados e Ponta Porã. Alegam que não existem mais condições de vida nas aldeias mais distantes dos centros urbanos. Querem também que a Funai trabalhe para liberar o arrendamento de terras indígenas, como existia há dez anos. Os arrendamentos foram proibidos, segundo informações da Polícia Federal em Dourados, porque esse tipo de negócio era liderado por alguns influentes caciques e não pela comunidade indígena.

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